Empresas passam a organizar carreiras por habilidades — e não apenas por cargos

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A lógica tradicional de carreira baseada em cargos começa a dar lugar a um modelo centrado em habilidades. Relatórios recentes de consultorias globais indicam que empresas passam a organizar recrutamento, desenvolvimento e mobilidade interna com base em competências específicas — uma resposta à escassez de talentos e às transformações tecnológicas que aceleram mudanças no trabalho.O modelo tradicional de organização do trabalho — baseado em cargos fixos e trajetórias lineares de carreira — começa a ser questionado por empresas que enfrentam transformações tecnológicas rápidas e dificuldade para encontrar profissionais qualificados.Leia também: O escritório voltou — e com novo papel nas empresasRelatórios recentes apontam que organizações passam a estruturar equipes e projetos a partir de habilidades específicas. O Deloitte Global Human Capital Trends indica que as empresas estão começando a reorganizar o trabalho em torno de competências, permitindo combinar talentos de diferentes áreas para resolver problemas específicos.A mesma direção aparece no Salary Guide da Hays, que aponta escassez persistente de profissionais especializados em áreas como tecnologia e dados. Diante desse cenário, empresas ampliam programas de upskilling (desenvolvimento de novas habilidades) e reskilling (requalificação profissional) para aproveitar talentos já existentes dentro da organização.O movimento também aparece em estudos internacionais. O India Skills Report destaca a crescente adoção de microcredenciais e aprendizagem contínua como forma de preencher lacunas de talento. Já o relatório Future of Work Predictions, da britânica HiBob, aponta que organizações passam a dar mais peso a conjuntos de habilidades do que a títulos formais de cargo na hora de contratar ou promover profissionais.Leia também: Saúde mental entra na gestão de risco e passa a integrar métricas corporativasEscassez de talentos acelera o movimentoA migração para estruturas baseadas em habilidades ocorre em um momento em que empresas enfrentam dificuldade crescente para contratar profissionais especializados.Relatórios de mercado apontam que setores ligados a tecnologia, dados, engenharia e inteligência artificial enfrentam maior competição por talentos. Nesse contexto, companhias passam a olhar para dentro das próprias equipes, buscando desenvolver novas competências e ampliar a mobilidade interna entre áreas.Essa mudança também altera a lógica de carreira. Em vez de trajetórias rígidas dentro de uma mesma função, profissionais passam a construir percursos mais flexíveis, baseados na aquisição de novas habilidades ao longo do tempo.Empresas mapeiam competências internasNa prática, a transição para um modelo baseado em habilidades exige que empresas desenvolvam mecanismos para identificar competências existentes dentro da organização e direcionar programas de desenvolvimento profissional.Na Totvs, por exemplo, pesquisas periódicas de clima e indicadores como o eNPS (Employee Net Promoter Score) ajudam a monitorar o engajamento das equipes e orientar iniciativas de desenvolvimento e mobilidade interna.Na BAT América Latina, a empresa acompanha indicadores relacionados à evolução de talentos, promoções e movimentações internas. Esses dados ajudam a orientar estratégias de desenvolvimento profissional e retenção de talentos dentro da organização.Leia também: Estratégias de RH, dados e cultura: o caminho para a certificação Top EmployersAprendizado contínuo ganha protagonismoCom a crescente velocidade das transformações tecnológicas, especialistas apontam que o aprendizado contínuo tende a se tornar parte central da vida profissional.Estudos como os da Deloitte e do India Skills Report indicam que empresas passam a investir mais em programas internos de capacitação e trilhas de desenvolvimento que permitam aos profissionais adquirir novas habilidades ao longo da carreira.Nesse cenário, o conceito de carreira linear — baseado em uma sequência previsível de cargos — perde espaço para trajetórias mais flexíveis, nas quais a capacidade de aprender e desenvolver novas competências passa a ter peso crescente.Leia também: Diversidade e inclusão entram na meta e passam a influenciar gestão nas empresasA tendência sugere que, nos próximos anos, organizações tendem a valorizar menos o cargo ocupado e mais o conjunto de habilidades que cada profissional é capaz de mobilizar para resolver problemas e gerar resultados.The post Empresas passam a organizar carreiras por habilidades — e não apenas por cargos appeared first on InfoMoney.