O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joseph Kent, renunciou ao cargo nesta terça-feira (17) em protesto contra a ofensiva militar conjunta dos EUA e de Israel contra o Irã. Kent é o primeiro alto funcionário a deixar a gestão de Donald Trump em discordância com o atual conflito. “Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã”, declarou.Veterano das Forças Especiais Boinas Verdes, com inúmeras missões de combate no currículo, Kent enviou uma carta de demissão ao presidente americano. No documento, justificou a decisão apontando que o Irã não representa uma ameaça iminente ao país.O ex-diretor não poupou críticas à influência externa sobre a política de Washington e responsabilizou Tel Aviv pela escalada militar. Segundo Kent, o governo cedeu à pressão de autoridades israelenses e de um “poderoso lobby” nos Estados Unidos.A articulação, aliada ao apoio de membros influentes da imprensa, teria criado uma campanha de desinformação que minou a plataforma “América Primeiro” (America First). “Essa câmara de eco foi usada para enganá-los, fazendo-os acreditar que se atacássemos agora, haveria um caminho claro para uma vitória rápida”, escreveu. Kent classificou a promessa como mentirosa e a comparou à mesma tática utilizada no passado para arrastar os EUA para a “desastrosa guerra do Iraque”.Na carta, Kent também cobrou coerência de Trump. Ele lembrou o presidente de que, até junho do ano passado, a própria Casa Branca reconhecia as intervenções no Oriente Médio como uma “armadilha que roubava as preciosas vidas de nossos patriotas e esgotava a riqueza e a prosperidade da nação”.Kent terminou dizendo que não pode “apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano nem justifica o custo de vidas”.*Com informações da AFP Leia também Argentina acompanha os EUA e formaliza saída da OMS Quem era Ali Larijani, homem de confiança de Khamenei morto nesta terça