Embraer (EMBJ3): Queda exagerada abriu oportunidade de entrada na fabricante, vê Itaú BBA

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A Embraer (EMBJ3) está negociando abaixo do seu valor justo, avalia o Itaú BBA, que vê um ponto de entrada atrativo criado pela recente correção das ações. A casa permanece compradora e reforça a fabricante de aeronaves brasileira como uma de suas top picks (principais escolhas).A equipe de analistas liderada por Daniel Gasparete destaca que as ações EMBJ (negociadas na Nyse) caíram 23% no acumulado do mês e 26% desde a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, em 6 de março, ficando abaixo do índice S&P e de seus pares no setor em 20% e 10%, respectivamente.Na Bolsa brasileira, os papéis da companhia encerraram as negociações da última quinta-feira (12) no menor preço em quase oito meses, com queda de 11%, a R$ 74,62.  O desempenho diário também foi o 9º pior nos últimos 10 anos. A última derrocada de mesma magnitude não era vista há desde março de 2022, há quatro anos – no pregão marcado pela repercussão da invasão russa na Ucrânia.  “Acreditamos que essa correção criou um ponto de entrada atrativo, impulsionada em grande parte por uma combinação de maior aversão ao risco, em meio à escalada dos conflitos no Oriente Médio e pelo guidance para 2026 da Embraer abaixo do esperado, o que, possivelmente, reforçou a percepção de que o melhor momento da companhia já ficou para trás”, avalia o BBA.A equipe de analistas considera a reação excessiva e avalia que o atual cenário geopolítico deve se normalizar ao longo do tempo, permitindo que os fundamentos da indústria de aviação voltem a prevalecer.“A aviação comercial enfrenta gargalos de capacidade, a aviação executiva está com pedidos esgotados e o segmento de defesa continua acelerando. Além disso, acreditamos que os investidores perceberão que o guidance para 2026 da Embraer provavelmente foi conservador”, dizem os analistas.A avaliação do BBA vai de encontro ao JP Morgan, que também classificou a derrocada das ações como exagerada. Veja: Embraer (EMBJ3): JP Morgan vê derrocada como exagerada, após pior dia em 4 anos na B3 Projeções da EmbraerO BBA pondera que o guidance da Embraer para 2026 veio abaixo das expectativas, o que apoiou o desempenho negativo das ações. “Apesar de a administração ter afirmado na teleconferência que a probabilidade de entregar o topo da faixa havia aumentado, o mercado — possivelmente fundos quantitativos — reagiu rapidamente às manchetes negativas”, diz a casa.A fabricante brasileira de aviões divulgou que espera entregar de 80 a 85 aeronaves comerciais, acima das 78 do ano passado. Já as entregas de jatos executivos foram estimadas entre 160 e 170, ante 155 em 2025.O aumento nas entregas deve impulsionar um salto nas receitas, que foram projetadas entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, após o recorde de US$ 7,6 bilhões em 2025.Apesar de acreditar que o guidance atual incorpora certo grau de conservadorismo, o BBA ajustou as projeções para o topo da faixa, estimando agora:Receita líquida: US$ 8,5 bilhõesMargem EBIT: 9,3%Ebit: US$ 789 milhões (3% abaixo de estimativas anteriores)Isso se traduz em lucro líquido de US$ 638 milhões, 9% acima das projeções anteriores para 2026, apoiado pela posição de caixa líquido que o BBA espera que a empresa mantenha ao longo de 2026.O BBA vê como possíveis catalisadores de alta a entrega de resultados trimestrais acima das expectativas, apoiando revisões positivas para o guidance de 2026, e a concretização de um grande pedido de jatos comerciais da Índia, ligado à parceria da companhia com o Adani Group.As expectativas do mercado apontam para um pedido potencial de 200 aeronaves E1, que estimamos poder valer até US$ 5,1 bilhões, podendo se materializar já neste ano.