Quase 4 em cada 10 famílias portuguesas têm dificuldades em pagar despesas essenciais

Wait 5 sec.

Os dados são do Barómetro anual da DECO PROteste, que mostra que a descida da inflação e a redução das taxas de juro do crédito à habitação não foram suficientes para aliviar o orçamento das famílias. Pelo contrário, o estudo revela um agravamento generalizado das dificuldades em pagar despesas do dia a dia. Este foi inclusivamente o valor mais elevado registado pela instituição desde que começou a monitorizar a capacidade financeira das famílias, em 2018.O estudo baseou-se em mais de 5.546 respostas válidas de famílias portuguesas e decorreu entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. Atividades essenciais e secundárias sob pressãoEntre as despesas que mais pressionam o orçamento das famílias portuguesas destacam-se os gastos com o automóvel, apontados por 51% dos agregados como difíceis de suportar. Pagar as férias grandes surge logo a seguir, representando um desafio para 50% das famílias.As despesas com tratamentos de saúde oral, mencionadas por 46% dos inquiridos, e os encargos com óculos e aparelhos auditivos, referidos por 42%, também figuram entre os principais fatores de pressão financeira. A compra de carne, peixe ou alternativas vegetarianas completam o grupo das despesas mais difíceis de suportar, sendo apontada por 40% das famílias.Outros gastos continuam igualmente a pesar no orçamento familiar. Ir a restaurantes ou bares, realizar a manutenção da casa ou fazer pequenas viagens de fim de semana são despesas frequentemente apontadas como difíceis de suportar, tal como a compra de roupa. Até atividades culturais, como concertos, cinema, teatro ou museus, são consideradas difíceis de pagar por cerca de um terço das famílias.O Índice de Capacidade Financeira, que mede a capacidade das famílias para fazer face às despesas essenciais numa escala de 0 a 100, caiu de 46,2 pontos em 2024 para 41,6 pontos em 2025, o valor mais baixo registado desde o início deste estudo. Disparidades regionais e entre famílias intensificam-seA análise regional evidencia também diferenças relevantes. Os Açores registam o índice de capacidade financeira mais baixo, ao passo que no Continente são os distritos da Guarda e Aveiro que apresentam uma maior proporção de famílias em dificuldade financeira.O estudo mostra ainda que as dificuldades financeiras são particularmente acentuadas entre famílias monoparentais e agregados familiares mais numerosos, que enfrentam maiores constrangimentos para fazer face às despesas essenciais.O conteúdo Quase 4 em cada 10 famílias portuguesas têm dificuldades em pagar despesas essenciais aparece primeiro em Revista Líder.