Com o setor de criptomoedas no Brasil se expandindo e alcançando cada vez mais investidores do mercado financeiro tradicional, uma nova forma de investir começa a ganhar espaço. Trata-se da alavancagem com criptoativos, uma estratégia que busca oportunidades de aplicação usando crédito de custo mais baixo, sem a necessidade de realizar novos grandes aportes.Na prática, o investidor utiliza suas criptomoedas como garantia para tomar crédito e investir essa nova liquidez. O ambiente cripto se tornou especialmente propício para esse tipo de estratégia, pois permite que os ativos digitais sejam usados como colateral para empréstimos. Isso tende a reduzir o custo do crédito e gerar liquidez para novos investimentos, sem a necessidade de vender os ativos ou realizar novos aportes de capital.Porém, antes de optar por esta estratégia, o investidor deve entender que a operação possui riscos. Guilherme Pimentel, diretor de Produtos Exchange do MB | Mercado Bitcoin, aponta que essa é uma prática arrojada e indicada para investidores com grande apetite ao risco, que já possuem intimidade com a volatilidade do mercado cripto. Leia também: O que é crédito com garantia em criptomoedas? Forma de pegar empréstimo sem vender BitcoinO motivo para essa cautela é que a alavancagem age como um multiplicador financeiro. “Se o mercado sofre uma queda brusca, a situação pode dar errado”, afirma. Nesse contexto, o investidor verá seu patrimônio desvalorizar e ainda precisará arcar com o empréstimo, o que acelera significativamente o risco de o seu colateral ser liquidado para cobrir a dívida.Porém, a natureza de multiplicador financeiro funciona nos dois lados da moeda: se o mercado sobe, o investidor lucra em dobro. “Ganha com a valorização da sua garantia original e também com a alta do novo ativo que comprou”, diz o especialista. Estratégia para diminuir riscos Apesar da volatilidade, existem maneiras de mitigar os riscos. Pimentel explica que uma estratégia para que o investidor se proteja do risco de encerramento do contrato de empréstimo, por conta de uma desvalorização dos ativos colocados em garantia, seria usar o próprio crédito para reforçar seu nível de garantias. “Funciona da seguinte forma: imagine que você tem R$ 1.000 em Bitcoin e pega um crédito de R$ 500. Em vez de gastar ou investir esse valor em outra coisa, você compra mais R$ 500 em Bitcoin e adiciona essa nova quantia à sua garantia original. Agora, você passa a ter R$ 1.500 de patrimônio em BTC e esse valor protege um empréstimo de apenas R$ 500. Isso cria uma gordura excelente, tornando a chance de o seu contrato ser liquidado em um momento de queda brusca do mercado muito menor e garantindo mais tranquilidade”, detalha o executivo.Corretoras traduzem mundo DeFiDurante algum tempo, o empréstimo usando criptomoedas como garantia só era possível por meio de contratos inteligentes em plataformas de finanças descentralizadas (DeFi). Mas operar nesses ambientes é altamente complexo: é preciso dominar a gestão de carteiras digitais, entender como utilizar diferentes redes de blockchain e, principalmente, lidar com os projetos DeFi.“Quando um investidor decide contratar crédito diretamente via DeFi, ele assume o papel de se autoatender do início ao fim. O problema é que, nesse cenário, é necessário um nível de conhecimento técnico alto sobre o funcionamento da tecnologia Web3, que ainda é bastante inacessível para o investidor comum no Brasil”, afirma Pimentel.O mercado começou então a produzir maneiras de oferecer acessar às boas taxas do empréstimo cripto, mas com menor fricção tecnológica. O MB oferece essa modalidade de crédito por meio do produto CriptoCrédito, e o executivo explica quais são os pontos que a empresa considera suas vantagens competitivas.“É exatamente para eliminar essa barreira técnica e esse risco extremo que o CriptoCrédito do MB foi criado. Nós atuamos como um tradutor tecnológico para o cliente, absorvendo toda a complexidade de interagir com a Web3. O investidor não precisa configurar carteiras externas ou tentar decifrar códigos para conseguir o seu empréstimo”, afirma. Outro ponto que Pimentel ressalta é que uma corretora regularizada terá sempre um time de suporte para tirar dúvidas do cliente, situação oposta do ambiente DeFi onde não se pode recorrer à ninguém. Custo do crédito cripto é o grande atrativo Um dos grandes pontos positivos de se tomar crédito usando criptomoedas como garantia são as taxas de juros mais baratas. No Brasil, grande parte das modalidades de crédito depende de análise de score — o que torna o processo demorado e por vezes excludente — e costuma ter juros elevados. Dados do Procon mostram que o empréstimo pessoal sem garantia tem taxa média próxima de 2,89% ao mês, podendo chegar a mais de 4% ao mês em alguns casos. Já o crédito pessoal não consignado pode ultrapassar 5% ao mês, enquanto o cheque especial pode chegar a 8% ao mês.Modalidades com garantia — como imóvel ou veículo — costumam ter juros menores porque reduzem o risco da operação. O crédito com garantia em criptomoedas segue essa lógica, usando ativos digitais como colateral para oferecer condições mais competitivas.No produto do MB, os juros começam em 1,69% ao mês (podendo ser maiores dependendo do caso), e o cliente mantém seus investimentos, que continuam expostos à valorização do mercado de criptomoedas. Lembrando que esse tipo de operação tem incidência de IOF de 0,38%.Colocando isso em prática, imagine uma pessoa que precisa de R$ 5 mil para cobrir uma despesa inesperada. Caso recorra a um empréstimo pessoal tradicional com taxa média de 2,89% ao mês, ao longo de 12 meses, ela pagaria cerca de R$ 920 em juros, levando o custo total do crédito para aproximadamente R$ 5.920.Se essa mesma pessoa possuir criptomoedas e optar por usar seus ativos como garantia em um crédito a partir de 1,69% ao mês, como oferecido pelo MB, o custo com juros cairia quase pela metade, para R$ 560, com pagamento total próximo de R$ 5.560. Além da economia nos juros, o investidor não precisaria vender suas criptomoedas, mantendo a possibilidade de valorização futura e evitando eventual tributação.Disclaimer: O Portal do Bitcoin é uma empresa do grupo 2TM, holding que controla o MB | Mercado Bitcoin.O post Como usar crédito com garantia em criptomoedas para aumentar exposição ao Bitcoin apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.