Mais uma vez, o contrato de petróleo Brent encerrou o dia nesta quinta-feira com alta, cotado em mais de US$ 100. Mesmo após recuo no after market, o principal contrato da commodity ainda ultrapassa os US$ 106.Com o conflito no Oriente Médio ganhando novos contornos após ataques a instalações de energia e infraestrutura, o mercado já precifica como seria se os preços da commodity permanecessem altos por mais algumas semanas. Leia tambémPetróleo fecha em alta, mas passa a cair no after market, com fala sobre OrmuzNas máximas, o WTI e o Brent tocaram o maior nível em dez dias, a US$ 100,48 e a US$ 119,13, respectivamente“Com a guerra completando 20 dias e sem uma perspectiva clara sobre quando o conflito deve acabar, os preços do petróleo passam a adotar um ritmo de aumento mais acelerado, com os países consumidores buscando outras fontes para abastecer seus mercados internos”, afirma Bruno Cordeiro, da Stonex.Em comentário direcionado a clientes, o UBS BB realizou exercício, considerando premissas de petróleo a mais de US$ 100 para 2026 e 2027, precificando qual seria o impacto para os mercados globais. Em primeira análise, mercados expostos a commodities, como Brasil, México e Arabia Saudita seriam mais beneficiados por preços elevados do óleo, enquanto Indonésia, Índia e África do Sul poderiam passar por revisões negativas.Ao considerar altas adicionais, África do Sul, Taiwan e Tailândia poderiam ser mais vulneráveis. Quando observados os setores, obviamente o de energia seria o grande beneficiário enquanto transportes, com destaque para companhias aéreas, já seria o mais impactado. Dos 25 setores analisados pelo UBS, a permanência dos preços elevados seria neutra para segmentos como seguros, farmacêuticas e imobiliário. Para outros 17 setores, como bancos, alimentação, varejo e bens de capital, a desaceleração do consumo pela queda de demanda e a alta dos combustíveis seria altamente negativa. O JPMorgan destaca, em relatório sobre o tema, que impacto macroeconômicos podem afetar a performance dos bonds corporativos da América Latina. Os economistas do banco estimam que, se o preço do petróleo moderar para cerca de US$ 80/barril até o fim do ano, a inflação global ao consumidor (CPI) subiria aproximadamente 0,5 p.p. em 2026, enquanto o crescimento do PIB seria reduzido em cerca de 0,3 p.p. Ainda assim, o banco considera que nos níveis atuais de preço o cenário macro global não é inviabilizado. O ímpeto de crescimento no primeiro trimestre de 2026 tem sido forte, em torno de 3%, bem acima do potencial, e o cenário de petróleo elevado não é tão provável de provocar um ciclo amplo de aperto monetário fora dos países que já são esperados subir juros (Japão, Austrália), para analistas. O Banco do Japão deixou a taxa de juros inalterada nesta quinta-feira (19), mas manteve seu viés de uma política monetária mais apertada, alertando que o aumento dos preços do petróleo, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, pode exacerbar as pressões inflacionárias.“Para a América Latina, esse ambiente se traduz em condições financeiras mais apertadas, dólar mais forte e bancos centrais pausando ou adiando cortes de juros. Ambientes de “risk-off” são, em geral, desafiadores para crédito de EM, e, embora o vento favorável de commodities seja real, os vetores de juros e crescimento potencial não podem ser ignorados”, afirma o JPMorgan. O banco aponta que, para petroquímicas, o quadro é misto, dependendo da dinâmica de produto. Algumas se beneficiariam quando fretes mais caros elevam o preço de paridade de importação, permitindo que produtores domésticos ampliem margens realizadas; enquanto outras precisam de interrupções reais de oferta para ver melhora de margens. Sem a certeza que a alta na commodity se traduz, necessariamente, em alta generalizada para os bonds de energia e petroquímica na América Latina, o banco elencou algumas de suas preferências no universo de bonds de petroleiras e o reforço de suas visões atuais. O JPMorgan segue underweight (peso abaixo, em tradução livre, similar à venda) em Petrobras (PETR4; PETR3), pelo nível de negociação apertado de seus bonds. “Para nomes integrados, o benefício se materializa de forma mais direta via volumes líquidos de exportação, o que faz da Ecopetrol nossa exposição preferida OW (overweight – peso acima, em tradução livre, similar a compra), dado seu perfil de exportadora líquida acima de 60% e o potencial de catalisadores de política com a transição política da Colômbia em 2026”, afirma. Além da Ecopetrol, o banco cita também a YPF recomendada com OW, ancorada na melhora macro e na expansão de Vaca Muerta, apesar das exportações ainda limitadas.The post Se o petróleo ficar acima dos US$ 100 por muito tempo, o que muda para os mercados? appeared first on InfoMoney.