Leilão de capacidade entra em nova etapa com térmicas a óleo e biodiesel

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O governo realiza nesta sexta-feira (20) a segunda rodada do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026, focada na contratação de usinas termelétricas a óleo e biodiesel. O evento ocorre em meio a críticas de entidades que representam consumidores, que apontam aumento de custos e baixo nível de competição na etapa realizada na quarta-feira (18).Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), esta rodada contará com três produtos voltados a usinas existentes movidas a óleo e biodiesel, com prazos contratuais de até 10 anos, no caso do biodiesel, e de três anos para usinas a óleo.Ao todo, foram cadastrados 38 projetos, somando cerca de 5,9 GW de potência, sendo 18 empreendimentos a óleo, com 2.843 MW, e 20 projetos a biodiesel, com 3.047 MW. Continuidade após leilão bilionárioA nova rodada ocorre dois dias após o governo realizar a principal etapa do LRCap, que contratou usinas termelétricas a gás natural, carvão mineral e hidrelétricas. O certame de quarta-feira teve deságio médio de 5,52% e foi considerado estratégico pelo governo para garantir segurança energética diante do avanço de fontes renováveis intermitentes.Apesar disso, o resultado foi alvo de fortes críticas de entidades do setor. A FNCE (Frente Nacional de Consumidores de Energia) e a Abrace (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia) afirmaram que o volume contratado foi excessivo e pode elevar a conta de luz em até 10%. O custo anual da contratação será de R$ 38,5 bilhões, com impacto direto nas tarifas e na inflação. Debate sobre custos e necessidadePara especialistas, a segunda etapa do leilão reforça a estratégia do governo de ampliar a capacidade despachável do sistema, especialmente em momentos de pico de demanda.Por outro lado, críticos apontam que a contratação de usinas a óleo, geralmente mais caras e poluentes, pode ampliar ainda mais os custos para os consumidores.O leilão de reserva de capacidade tem como objetivo garantir que o sistema elétrico conte com usinas disponíveis para operar em momentos críticos, funcionando como um “seguro” para o abastecimento.