O governo federal decidiu excluir a lavra mineral, etapa de exploração e extração, do escopo de financiamento do Fundo Clima, instrumento que apoia projetos ligados à agenda de descarbonização e transição energética.A decisão foi tomada pelo Comitê Gestor do Fundo Clima, colegiado presidido pelo MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima).Pelo desenho atual do Plano Anual de Aplicação de Recursos, atividades de beneficiamento e transformação mineral poderão receber recursos, enquanto a etapa de exploração das jazidas ficará de fora.Na prática, o fundo poderá apoiar projetos industriais ligados à cadeia mineral, como plantas de processamento, separação e refino de minerais, mas não o desenvolvimento das minas onde esses materiais são extraídos. Leia Mais Terras raras de MG serão usadas para produção de nanotecnologia no Brasil BID quer transformar América Latina em hub dos minerais críticos Brasil vive momento único na mineração, diz CEO da Vale à CNN A decisão provocou reação do setor mineral. Em nota, o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) defendeu a revisão do modelo e argumentou que a mineração faz parte da solução para a agenda climática global.Minerais como cobre, níquel, lítio, grafite, manganês, silício e terras raras são insumos essenciais para tecnologias ligadas à transição energética.Esses materiais são utilizados na fabricação de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, sistemas de armazenamento de energia e redes de transmissão, pilares da eletrificação da economia.Sem a produção desses insumos a transição energética não avança em escala nem com segurança de suprimento.“A decisão de retirar a mineração do escopo do financiamento sugere desconhecimento sobre a relevância desses insumos estratégicos ou a existência de critérios ideológicos em temas que exigem base técnica”, diz o Ibram em nota.O Ibram sustenta ainda que o acesso a financiamento poderia estimular projetos de mineração mais modernos e com menor impacto ambiental, além de ajudar a viabilizar investimentos em minerais estratégicos no país.Outro argumento do setor é que excluir a mineração industrial de instrumentos de financiamento pode ampliar o espaço para a produção ilegal, que opera fora de padrões ambientais e regulatórios.Hoje, a mineração no Brasil depende de etapas de licenciamento ambiental, fiscalização de diferentes autoridades e exigências regulatórias permanentes, além de práticas cada vez mais rigorosas em áreas como gestão hídrica, recuperação ambiental e governança.A discussão ocorre em meio a uma disputa global por minerais críticos, considerados estratégicos para a nova economia de baixo carbono.Diversos países têm adotado políticas industriais e instrumentos de financiamento para fortalecer essas cadeias.Estados Unidos, União Europeia, Canadá e Austrália lançaram programas voltados a ampliar a produção e o processamento desses minerais, vistos como fundamentais para reduzir a dependência global da China.No Brasil, o setor avalia que o país reúne condições geológicas para se tornar um fornecedor relevante desses insumos, mas argumenta que o acesso a financiamento é um dos principais desafios para viabilizar novos projetos minerais.