As altas taxas de juros no Brasil têm impactado diretamente as famílias e o setor produtivo, com perspectivas preocupantes para os próximos anos. De acordo com Juliana Inhasz, professora de macroeconomia do Insper, o cenário atual é delicado, com uma guerra sem perspectiva de fim e uma Selic que começou a ceder na última reunião do Copom, mas de forma muito lenta.Em entrevista ao CNN Prime Time, a professora afirmou que empresas acabam diminuindo ou evitando investimentos devido ao alto custo do capital, o que se reflete em uma produtividade mais baixa, possível redução na empregabilidade e em uma economia com baixo crescimento. “A gente tem vários desdobramentos, tem claro esse impacto de curto prazo que é o que a gente já sente hoje, é um custo maior de uma forma generalizada, o que faz infelizmente com que inclusive muitas famílias acabem ficando muito endividadas, acabem eventualmente caindo numa situação de inadimplência“, completou a professora.Além do efeito imediato nas finanças pessoais, a especialista ressalta que os juros elevados provocam consequências graves no sistema produtivo brasileiro. “Essa taxa de juros muito alta acaba tendo efeitos colaterais dentro do próprio sistema produtivo. Fica mais caro para as indústrias, para as firmas conseguirem investir”, destacou Juliana Inhasz. Leia Mais Juros em 15% travam setores estratégicos da economia brasileira; entenda Sem grande pressão sobre BC, corte da Selic pode vir em março, diz Kanczuk Focus: Mercado mantém projeções para taxa Selic e inflação Inhasz afirmou que existe um impacto direto no custo dos financiamentos. “Todo mundo que precisa hoje pegar emprestado para consumir, precisa financiar um imóvel ou tem um plano de vida que, de alguma forma, precisa entrar em algum tipo de financiamento, de empréstimo, está mais caro”, explicou ela.Além disso, a professora explicar que a Selic é um indicativo de um problema maior. “Taxa de juros é um indicador de que alguma coisa está fora de esquadro, do que deveria ser, ela é um termômetro que indica um problema”, disse Inhasz.Cenário fiscal e expectativasA questão fiscal brasileira também é um fator determinante para a manutenção dos juros em patamares elevados. Juliana Inhasz menciona que o país enfrenta déficits recorrentes, com uma dívida pública que não para de crescer. “A gente já está perto dos 80% com relação ao PIB, olhando para a nossa dívida. É um nível extremamente elevado”, alertou.Este cenário coloca em risco a capacidade de pagamento do Brasil e aumenta a percepção de incerteza entre investidores. O ano eleitoral traz riscos adicionais, segundo a especialista, pois tradicionalmente os gastos públicos são maiores nesses períodos. “A gente quer realmente abaixar juros, mas ao mesmo tempo a gente tem um cenário que infelizmente hoje não favorece esse quadro”, analisou. “O Banco Central dentro dessa história está fazendo o papel dele”, completou.Fatores externosA guerra no Oriente Médio é outro elemento que dificulta a redução da Selic num ritmo mais veloz. Juliana Inhasz explica que o conflito afeta o preço do petróleo, uma commodity da qual o Brasil depende em suas importações. “Sofre com uma importação mais cara, mas também sofre com incertezas que estão acontecendo mundo afora, que acabam fazendo e podem continuar fazendo com que a taxa de câmbio suba”, observou.A professora ressaltou que o Brasil já tem um nível de taxa de câmbio relativamente elevado e que novas turbulências podem pressionar ainda mais esse indicador. “Essa guerra atrapalha porque ela traz realmente muita incerteza”, concluuiu, lembrando que mesmo após o eventual fim do conflito, os problemas internos brasileiros continuarão atrapalhando as expectativas de redução das taxas de juros. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.