Haddad defende Alckmin com Lula e desconversa sobre chapa

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O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), defendeu que Geraldo Alckmin (PSB) permaneça no cargo de vice-presidente da República ao lado de Lula na tentativa de reeleição. Em café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira (20), Haddad afirmou que é “o maior entusiasta de que os dois compõe uma chapa muito importante para o Brasil”.“Eu acho que é natural que Alckmin seja o vice. Até pelos adjetivos que o próprio presidente [Lula] fez questão de frisar ontem, no ato [que consegradou Haddad como pré-candidato]. Ele é uma pessoa que está muito confortável no cargo e todos nós também estamos muito confortáveis com essa decisão de 2022. Eu sou o maior entusiasta de que os dois compõe uma chapa muito importante para o Brasil. Mas vamos ver como terminam as conversas”, disse, garantindo que quer ouvir a opinião do próprio vice-presidente, que é uma figura “com muita experiência em São Paulo”, já tendo governado o Estado por quatro vezes. “Queremos muito ouvir o que ele, que conhece o Estado, acha, para tomar a melhor decisão”, acrescentou.Esse foi o primeiro evento oficial de Haddad como pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes, após anúncio na noite de quinta-feira (19), no Sindicato dos Metalúrgicos, ao lado de Lula. Nesta sexta, ele foi exonerado do cargo de ministro da Fazenda.Haddad desconversou, no entanto, sobre o restante da chapa. Ele preferiu não antecipar nomes ou um perfil de possível vice. Ele afastou a possibilidade, nesse momento, de tirar férias ou já iniciar, em abril, um giro pelo Estado. Apenas agora, já oficialmente como pré-candidato, se diz confortável para marcar conversas com autoridades e lideranças, tanto para montar chapa como desenhar plano de governo.O ex-ministro reconheceu que deve encontrar dificuldades de penetração no interior do Estado, e atribuiu a isso sua derrota para o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no segundo turno em 2022. “O Campo progressista em geral vai melhor nos grandes centros, é normal que seja assim. Em 2022, fiz 55% [dos votos] na região metropolitana e 35% no interior. Foi por isso [que perdemos], mas foi esse melhor desempenho do campo progressista em São Paulo. Agora, estamos melhores do que todas as vezes, mas continua o desafio de diálogo mais amplo com setores mais conservadores”, destacou.Sobre o atual governador, Fernando Haddad descartou a possibilidade de reverter decisões tomadas em caso de vitória, mesmo que discorde – como a privatização da Sabesp.O pré-candidato também comentou sobre os apoios para concorrer, e garantiu estar disposto a negociar com os mais diversos partidos “desde que eles não interfiram nos princípios do plano de governo” que será montado. Haddad afirmou, no entanto, que vai ficar confortável se tiver ao seu lado as siglas que já o apoiaram em 2022. “Penso sobretudo que, no mínimo, teremos a mesma coalização de 2022. Estou trabalhando com esse cenário, daí pra mais. Se ficar nisso, a mesma de 2022, não vou reclamar. Se for possível ampliar, nós vamos tentar. Mas não fazemos aliança abrindo mão de princípios e valores”.Ele também disse que imagina que a campanha será bastante similar à anterior, inclusive no que diz respeito à participação de Lula.Futuro sem LulaPensando na eleição de 2030, Fernando Haddad foi questionado sobre seu futuro político, após a saída do presidente Lula da vida política dentro de alguns anos – e negou que pense dessa forma.“Eu não trabalho com esse calendário em política. Uma coisa é planejar um Estado, uma cidade e um país. Outra é seu próprio futuro, principalmente o Brasil politicamente. Construir uma reputação na política é trabalho de uma vida e destruir é um minuto. Então, não acredito em outra coisa além de “exercer bem pra o que for designado”, garantiu.