CNN Talks: Setor produtivo alerta para debate precipitado sobre escala 6×1

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Os setores imobiliários, da indústria e do comércio compartilham a percepção de que o fim da escala 6×1 não deve ser debatido em ano de eleição. A percepção do setor produtivo  sobre os reflexos de uma eventual redução na jornada de trabalho na economia brasileira foi discutida no primeiro CNN Talks de 2026, realizado na manhã desta sexta-feira (20).Para Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo), as mudanças na escala e na jornada de trabalho precisam considerar as características individuais de cada setor para evitar que modelos de negócio sejam inviabilizados.“Em um ano eleitoral, em que as motivações são eleitorais, não se deve colocar na pauta certas discussões que possam afetar a vida das pessoas”, disse Skaf no CNN Talks. Leia Mais Acaba nesta sexta (20) o prazo para pedir devolução de descontos do INSS Riachuelo suspende estudos sobre follow-on em meio a economia incerta Abrainc: Decisão precipitada sobre escala 6x1 pode gerar "dano enorme" Durante o evento, o presidente da Fiesp destacou que a indústria está aberta ao diálogo, mas ressaltou que a pressão do ano eleitoral sobre os deputados e senadores atrapalha a discussão do tema. Por essa razão, ele defende que a tomada de decisão ocorra a partir de 2027.“Tem que debater com cuidado, cautela, sem motivações estranhas”, declarou ao CNN Talks.O presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), Luiz França, também concorda com a avaliação da indústria. Segundo ele, a mudança na escala de trabalho vai aumentar o preço dos imóveis e, consequentemente, dificultar a aquisição dos brasileiros da sua casa própria.“É ano eleitoral. Não é momento de discutir isso. Pode até começar a discutir neste ano, mas não é momento para decidir nada. Uma decisão precipitada pode trazer um dano enorme para o Brasil”, disse França no CNN Talks.Um estudo da Abrainc mostrou que o fim da escala 6×1 vai encarecer as obras em 20% e deve impactar o acesso à casa própria de 4,8 milhões de famílias. O resultado considera que a mão de obra representa cerca de 40% do custo dos empreendimentos e o custo total dos empreendimentos em relação ao VGV (valor geral de vendas) deve subir em 5,5% no cenário de 40 horas e em 11% no cenário de 36 horas.“Tem um impacto de preços no mercado imobiliário. O brasileiro não tem poupança e não tem como comprar o seu imóvel à vista. Tem que comprar financiado. Hoje já é um caos com a taxa de juros do jeito que está, com um monte de gente com dificuldade de comprar um imóvel. Imagina se o impacto do custo subir 5% o preço do imóvel, quantas pessoas perderão a capacidade de comprar aquele imóvel?”, questionou França.Vander Giordano, conselheiro da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), por sua vez, destaca que o trabalhador também vai perceber a redução do seu poder de compra de itens considerados básicos, como remédios.“A discussão sempre deve prevalecer no nosso sistema político, mas não em um ano em que a emoção vai tomar um corpo maior do que a razão. O trabalhador vai entender porque o poder de compra vai diminuir. O trabalhador não vai ter um benefício real”, declarou o conselheiro da Abrasce.O representante do comércio alerta ainda que o custo da máquina pública dos municípios vai aumentar, já que há muitos trabalhadores em regime de CLT trabalhando para as prefeituras. No evento, Giordano lembrou que o governo federal já elevou uma série de tributos para fechar seu caixa.“Em ano eleitoral, precisamos trazer o assunto à luz da realidade. Não à luz da emoção”, disse Giordano ao CNN Talks.