Telegram ainda é a rede social preferida dos criminosos, aponta relatório

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O Telegram é o aplicativo de mensagens favorito dos cibercriminosos. Apesar de concorrentes tentarem tomar o trono, a preferência dos usuários é quase unânime. É isso que aponta a pesquisa da Check Point.Mesmo com as implementações de regras de moderação e remoção de conteúdos mais presentes, o Telegram ainda é parte da rotina de quem tem algo a esconder.A origem do TelegramPavel Durov, criador do Telegram e da maior rede social da Rússia, o VKontakte, foi preso na França em  24 de agosto de 2025. Criado em 2013 pelos irmãos Pavel e Nikolai Durov, o Telegram nasceu com o objetivo de ser um aplicativo de mensagem baseado em nuvem. Além disso, o foco era a agilidade, criptografia e resistência à censura.Com o passar do tempo, o app ganhou funções como bots, monetização, canais e grupos. E com isso, atingiu centenas de milhares de usuários. Além disso, o Telegram se tornou uma das maiores plataformas do mundo – principalmente para atores de ativismo político, crime, extremismo e cibercrime.A prisão de Durov e o aumento da moderaçãoDiscord não conseguiu disputar a presença dos criminosos com o Telegram.Durante anos, agentes criminosos puderam usar o aplicativo como um meio de comunicação com pouquíssima interferência. Até que Pavel Durov foi preso em 2024, suspeito de ser cúmplice em crimes como tráfico de drogas, divulgação de pornografia infantil, lavagem de dinheiro e fraude. Isso justamente devido à ausência de moderação adequada no Telegram.Então, em fevereiro de 2025, o aplicativo foi forçado a apertar as rédeas e fazer a moderação mais rigorosa. De acordo com a pesquisa “Telegram’s Crackdown and Criminal Resilience in 2026” da Check Point, mais de 43,5 milhões de canais e grupos foram desativados. Desse total, apenas 2% eram relacionados a conteúdos de abuso infantil e 0,8% ao terrorismo.Mesmo com as atividades sendo mais vigiadas, os criminosos não se afugentaram. O levantamento também mostra que as novas regras do Telegram não causaram uma migração significativa para outras plataformas. Na verdade, os atacantes se adaptaram e passaram a usar as ferramentas de moderação a seu favor.Criminosos se adaptaram às novas regrasO levantamento da Check Point determina que pelo menos 20% dos canais bloqueados do app de mensagens, eram relacionados a atividades criminosas. E 2026 parece não ser um ano de mudança nesse cenário. Na verdade, o estudo encontrou evidências de que os posts sendo minados pela moderação da plataforma estão crescendo.Gráfico da Check Point mostra a quantidade de postagens retiradas do ar por período. Imagem: Check Point.Entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026, as publicações derrubadas chegaram a 500 mil. Um pico que não havia sido registrado durante o estudo da Check Point, que analisou o período entre dezembro de 2023 até o início deste ano.Telegram ainda vence a concorrênciaA empresa de cibersegurança reitera que não encontrou uma quantidade considerável de atores de ameaça compartilhando links ou mencionando a migração para outras plataformas. Apesar de que é importante destacar que o Telegram é usado como uma rede para comunicação em massa. Contatos diretos são sim feitos por outras redes sociais.Entre elas, o SimpleX é uma das favoritas. Um grupo cibercriminoso russo, conhecido como AKULA, tentou migrar para esse app, mas não conseguiu motivar seu público.Entre os links enviados nos últimos 3 meses, 3 milhões eram do Telegram. Discord fica pra trás por uma diferença de 2.8 milhões. Imagem: Check Point.Nos últimos 3 meses, a Check Point analisou os links de grupos que cibercriminosos compartilharam. O Telegram ganha de lavada de outros apps, incluindo o Discord e o Signal, com mais de 3 milhões de compartilhamentos.Técnicas para se manter no anonimatoPara conseguirem se manter no Telegram, cibercriminosos têm aplicado técnicas diferentes. Alguns grupos incluem avisos de isenção de responsabilidade nas descrições dos grupos. Nesses alertas, os criminosos inclusive marcam os criadores do app para dizer que não estão infringindo as regras – até mesmo quando eles estão cometendo crimes.Outra prática de praxe é criar outros canais e grupos de backup, nos quais não circulam nenhum conteúdo, mas acumulam seguidores.Brasil, Austrália, Espanha e Alemanha são alguns dos países que tem aumentado a regulamentação de redes sociais para proteger crianças. Verificação de identidade em plataformas como o Telegram podem colocar em cheque o anonimato na internet.As regras de moderação do Telegram tem enrijecido muito nos últimos anos, mas não o suficiente para espantar os criminosos. E o aplicativo se mantém como um centro de compartilhamento e esquematização de golpes e crimes.Com legislações de diversos países mudando, para manter crianças seguras na internet, é possível que vejamos mais mudanças no Telegram nos próximos anos.Acompanhe o TecMundo nas redes sociais. Para mais notícias de segurança e tecnologia, inscreva-se em nossa newsletter e canal do YouTube.