Os dados também mostram que apenas metade dos condutores (51,5%) realiza deslocações diárias de menos de meia hora, enquanto cerca de 27,6% dos homens relatam conduzir mais de uma hora por dia — contra 20,8% das mulheres. Além disso, 80% das mulheres gastam menos de 1 hora ao volante diariamente, percentagem superior à dos homens.O contexto urbano: congestionamento em Lisboa e PortoEstes números não surgem isolados: o trânsito nas principais cidades portuguesas tende a agravar‑se ano após ano. Em Lisboa, os condutores irão gastar, em média, 60 horas por ano presos no trânsito, valor que representa um aumento face aos 57 horas do ano anterior, segundo o relatório global da consultora INRIX que analisou dados de mobilidade em 946 cidades de diversas partes do mundo. Lisboa surge nesta análise como a 20.ª cidade mais congestionada da Europa e a 44.ª a nível mundial.No Porto, a situação piorou ainda mais rapidamente: os automobilistas perderam 36 horas no trânsito em 2024, um crescimento de 16% face ao ano anterior — o maior aumento entre as cidades portuguesas analisadas.Comparação com o resto da EuropaApesar dos desafios, Portugal tem, historicamente, uma média de deslocação para trabalho comparativamente baixa no contexto europeu. Dados do Eurostat mostram que, antes da pandemia, a média de tempo de deslocação de casa para o trabalho na UE era de cerca de 25 minutos, enquanto em Portugal rondava os 21 minutos, uma das mais curtas entre os Estados‑Membros, ao lado de Itália e Grécia.Estudos internacionais também confirmam que, de forma geral, trabalhadores portugueses passam menos tempo em deslocações comparativamente com a média europeia, embora isso varie muito consoante o tipo de trajeto e a região analisada.Como isso afeta os condutores no dia‑a‑diaPara muitos condutores, estes tempos de deslocação acumulam‑se ao longo da semana, representando um custo significativo em termos de, custos de combustível e stress. Por exemplo, um estudo de comparação global estima que os condutores portugueses passam cerca de 6 dias e 11 horas por ano em deslocações de carro, um valor semelhante ao de países como Espanha e inferior a outros países europeus mais congestionados.Especialistas indicam impacto na mobilidade urbana«Os movimentos pendulares dos trabalhadores para dentro das cidades impactam fortemente as dificuldades de mobilidade», afirma Jennifer Amador Tavares de Sousa, Diretora para Portugal e Espanha da Arrive. «O elevado número de veículos nas horas de ponta, tanto em vias principais como em ruas secundárias, reflete‑se no tempo que os condutores passam no trânsito. Por isso, trabalhamos com municípios e provedores de mobilidade para desenvolver estratégias que equilibrem esta dinâmica sem prejudicar o quotidiano das pessoas», conclui.O conteúdo Lisboa presa no trânsito: portugueses passam até 2 horas por dia ao volante aparece primeiro em Revista Líder.