O Brasil não é autossuficiente na produção de diesel e depende da importação de 25% a 30% do combustível consumido no país. A afirmação foi feita por Eberaldo de Almeida Neto, ex-presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), em entrevista ao Agora CNN neste domingo (22).Segundo Eberaldo, o país enfrenta um momento crítico por estar em período de colheita da safra, quando o consumo de diesel aumenta significativamente devido ao uso de máquinas colheitadeiras e ao transporte da produção. “Outro problema é que o Brasil é muito dependente do transporte do diesel, muito dependente do modal rodoviário. Essa é uma questão estrutural, que está aí há anos e a gente não consegue resolver”, explicou.O especialista destacou que outros países de dimensões continentais utilizam mais ferrovias e hidrovias, reduzindo a dependência do transporte rodoviário, que é menos eficiente em relação ao consumo de diesel. Ele também comentou sobre a defasagem atual nos preços do combustível: “A defasagem é superior a R$ 2,00 por litro. Hoje a Petrobras vende a R$ 3,65 o litro do diesel A, diesel fóssil, nas refinarias, e no mercado internacional está mais de R$ 5,00”. Leia Mais Capital Insights: petróleo caro afeta recursos do biodiesel, diz Lavor Mundim: intervenção do governo pode causar falta de combustível no Brasil Brent alto reacende papel estratégico dos biocombustíveis Conflitos internacionais e impacto no preçoEberaldo explicou que o diesel, como toda commodity, passa por ciclos de preço influenciados tanto pelo petróleo, sua matéria-prima, quanto por variações na demanda global. Ele citou como exemplo o que ocorreu durante a guerra na Ucrânia: “Foi o que aconteceu na época da guerra da Ucrânia, em que o gás russo deixou de fluir para a Europa e começaram a usar mais diesel para a produção de energia. A demanda de diesel cresceu e o valor do diesel cresceu bastante, apesar do petróleo ter ficado estável”.O atual cenário geopolítico, especialmente os conflitos no Oriente Médio, também representa um fator de risco para o mercado de combustíveis. Segundo o especialista, o Estreito de Ormuz, importante rota de transporte de petróleo, enfrenta problemas com mais de 3 mil navios aguardando passagem, com fluxo reduzido de 100 navios semanais para apenas 5 a 7 atualmente.Alternativas e biocombustíveisSobre possíveis soluções, Eberaldo mencionou o potencial dos biocombustíveis. Ele explicou que o diesel consumido no Brasil, chamado de diesel B, contém 15% de biodiesel e 85% de combustível fóssil. Existe um mandato aprovado para aumentar a proporção de biocombustíveis para até 25% do diesel.“O biocombustível que é usado hoje no Brasil, obviamente tem várias rotas tecnológicas, de biomassa, de várias fontes distintas, mas ele praticamente vem da esterificação do óleo de soja e do sebo animal”, detalhou o especialista. Ele ressaltou que, embora o biodiesel tenha algumas características específicas, como a tendência a formar borra quando fica muito tempo parado, seu uso contínuo não apresenta problemas. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.