Em meio ao debate regulatório sobre criptomoedas, stablecoins e tributação que cresce no Brasil, a Coinbase busca avançar no país não só ao se enquadrar corretamente nas regras, mas buscando expandir sua plataforma para além da negociação tradicional de criptomoedas, com a oferta de outros produtos inéditos e alguns que já existem no exterior.Em entrevista ao Portal do Bitcoin, Fabio Plein, diretor regional para as Américas da companhia, disse que o Brasil está entre os dez mercados prioritários globais da exchange e que a empresa quer usar esse status para trazer novos produtos ao país, incluindo no futuro ações tokenizadas e outros produtos hoje ainda dependentes do cenário regulatório, como o caso dos mercados de previsão, que a empresa já tem nos Estados Unidos.Nas últimas semanas, o foco do mercado cripto nacional tem sido discussões de cobrança de IOF sobre stablecoins e no aperto regulatório do Banco Central. No caso de Plein, porém, o ponto mais novo e com maior potencial de impacto é a sinalização de que a Coinbase vê o Brasil como peça relevante em sua estratégia de virar uma espécie de “exchange de tudo”, com oferta mais ampla de ativos e produtos financeiros dentro da mesma plataforma.Segundo ele, a empresa já começou esse movimento em outros mercados com iniciativas como listagem descentralizada, ofertas primárias de tokens, os mercados preditivos e ações. “Todos são produtos que estão na nossa visão de viabilizar no Brasil, dependendo do cenário regulatório também”, afirmou Plein ao falar sobre o plano da companhia para o país.Leia também: Computação quântica é um “problema solucionável” para o Bitcoin, diz CEO da CoinbaseA fala dialoga com o movimento global recente da Coinbase: em dezembro, a empresa anunciou sua entrada em mercados preditivos e negociação de ações, enquanto também apresentou a Coinbase Tokenize, plataforma institucional voltada à tokenização de ativos do mundo real e ao acesso futuro a ações tokenizadas.A relevância desse plano aumentou ainda mais nesta semana, depois que a SEC aprovou uma proposta da Nasdaq para permitir negociação e liquidação de determinados papéis em formato tokenizado nos Estados Unidos. O movimento reforça que a tokenização de ações deixou de ser apenas uma promessa distante e começou a ganhar espaço concreto na infraestrutura dos mercados tradicionais. Nesse contexto, a fala de Plein sobre trazer esse tipo de produto ao Brasil ganha peso maior do que teria alguns meses atrás.Para a Coinbase, o Brasil não aparece apenas como mercado grande, mas como uma aposta regional. Plein diz que é o único país da América Latina classificado pela empresa no grupo de prioridade máxima, o que exige investimento local em produto e também em adaptação regulatória.Regulação brasileira é positiva, mas com ressalvasPlein também comentou o processo regulatório brasileiro. Diferentemente do tom mais agressivo adotado por outros executivos do setor, ele disse ver a construção feita pelo Banco Central como “equilibrada” no geral, destacando o tempo de debate e as consultas públicas ao mercado. Ao mesmo tempo, ponderou que alguns pontos ficaram mais duros do que em outras jurisdições e ainda geram dificuldades práticas para as empresas.Leia também: “VASP as a Service”: Como as OTCs cripto sobreviverão às novas regras do BCO executivo afirma que a Coinbase já está acelerada para cumprir os marcos da nova regulação, com atenção especial ao cronograma que culmina em outubro, quando as empresas precisam submeter seus pedidos de registro ao Banco Central. “A gente já tá bem acelerado nesse processo”, afirmou. Ele disse ainda que, por ser uma empresa global que já opera em ambientes regulados em vários países, a Coinbase parte de uma base mais estruturada, embora isso não elimine a necessidade de adaptar processos à realidade local.O executivo também apontou problemas operacionais em algumas exigências previstas no Brasil, especialmente em reportes e limites para certos tipos de transação. Ao comentar situações envolvendo blockchain e movimentações entre carteiras, Plein afirmou que há “uma complexidade operacional de situações como essas, que não têm resposta na regulação”, sinalizando que a empresa vem levando essas preocupações ao Banco Central em busca de ajustes.Essa leitura se encaixa no momento regulatório do Brasil. O Banco Central publicou no fim de 2025 as Resoluções 519, 520 e 521, que passaram a disciplinar o funcionamento das prestadoras de serviços de ativos virtuais e enquadraram parte dessas atividades também nas regras de câmbio. Em janeiro, a autarquia avançou com novos detalhamentos operacionais, elevando a carga de adaptação para exchanges que atuam no país.Stablecoins seguem como pilarOutro tema importante foi stablecoins, mas aqui Plein seguiu uma linha mais alinhada ao discurso global da Coinbase. Ele destacou a parceria estratégica com a Circle e disse que a adoção de USDC e de infraestrutura de dinheiro on-chain é um dos pilares da empresa. “Esse é um pilar para a gente também e que a gente vê um potencial imenso ainda”, afirmou.Leia também: Stablecoin USDC, da Circle, ultrapassa USDT em volume “real” de transações em 2026Na avaliação dele, esse mercado ainda está no começo e pode saltar dos atuais US$ 300 bilhões para cerca de US$ 1,5 trilhão nos próximos anos. Para ele, esse já é “o principal caso de uso” de cripto depois do investimento, e pode se transformar na grande plataforma para levar a tecnologia a um público muito mais amplo.Essa visão conversa com a estratégia pública da companhia. No início do ano, o CEO Brian Armstrong disse que ampliar stablecoins e adoção onchain está entre as prioridades centrais da Coinbase para 2026. Ao mesmo tempo, o avanço regulatório nos Estados Unidos — primeiro com a lei de stablecoins e depois com a discussão em torno da Lei Clarity — ajuda a reforçar a tese de que o setor caminha para integrar de forma mais profunda a infraestrutura financeira tradicional.No fim, Plein sugere que a Coinbase enxerga o Brasil menos como um mercado periférico de cripto e mais como um laboratório importante para sua próxima fase. Se conseguir adaptar o produto à regulação local, a empresa quer disputar espaço não só com outras exchanges, mas com corretoras, plataformas de investimento e futuros provedores de ativos tokenizados.Liquidez sem vender as suas criptos: se você investe pensando no longo prazo, sabe que desmontar posição tem custo. Com o CriptoCrédito do MB, suas criptos viram garantia para um empréstimo liberado de forma rápida. Dinheiro em até 5 minutos, sem burocracia, direto no app! 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