As ações da Hapvida (HAPV3) acumulam queda de 73% desde os resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25) e chegam à divulgação do 4T25 sob forte pressão. Para o JPMorgan, apesar do valuation mais atrativo, o cenário de curto prazo segue desafiador, com concorrência elevada e riscos nas estimativas. A companhia divulga seus números nesta quarta-feira (18), após o fechamento do mercado.Segundo o banco, a queda reflete uma combinação de tendências de curto prazo mais fracas que o esperado, forte pressão competitiva e revisões negativas nas projeções, o que deteriorou o sentimento dos investidores.Leia tambémUBS BB eleva Usiminas para compra com avanço do protecionismo; ação dispara 6%UBS BB passou a adotar uma visão mais construtiva para siderurgia, impulsionada pelo avanço de medidas de proteção comercial (antidumping)BRAV3 cai: Petrobras exerce preferência na compra de ativo e frustra plano da BravaTransação reverte acordo previamente anunciado pela Brava, que havia comunicado a compra em janeiro, condicionada à não manifestação da estatalApesar de negociar a cerca de 5 vezes o P/L (Preço sobre Lucro) projetado para 2027, o que sugere um valuation atrativo, o preço-alvo foi reduzido de R$ 39 para R$ 13,50 por ação. Ainda assim, o JPMorgan manteve recomendação neutra, destacando incertezas no processo de recuperação e resultados ainda pressionados no curto prazo.ExpectativasO JPMorgan revisou novamente suas estimativas de lucro por ação (EPS) ajustado para Hapvida, com cortes de cerca de 70% para 2026 e 40% para 2027, ficando aproximadamente 50% e 25% abaixo do consenso, respectivamente. Além disso, projeta queda do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) em 2026, com normalização de margens apenas entre 2027 e 2028, e crescimento anual médio (CAGR) de receita e EBITDA de 4% a 5% em cinco anos.Leia mais: Confira o calendário de resultados do 4º trimestre de 2025 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 4T25 em destaque: veja ações e setores para ficar de olhoO banco observa que o retorno sobre patrimônio (ROE) do setor voltou a níveis elevados, permitindo que concorrentes adotem estratégias mais agressivas de preços. Isso tende a manter a competição intensa e limitar aumentos de preços no setor.Com concorrentes mais agressivos, a Hapvida tem priorizado rentabilidade em detrimento de crescimento, o que tem resultado em perda líquida de beneficiários, segundo dados da ANS. Enquanto isso, concorrentes como Porto Saúde e Amil registraram ganhos relevantes de base de clientes no período recente.Embora essa disciplina possa preservar margens no longo prazo, o banco alerta para desafios de crescimento no curto prazo, especialmente em regiões mais competitivas, como o Sudeste.O Bradesco BBI, por sua vez, espera resultados fracos, com queda de 21% no EBITDA em relação ao ano anterior, excluindo R$ 108 milhões em ajustes no 4T24. A receita bruta deve crescer 5% em relação ao ano anterior, 1 p.p. (ponto percentual) a menos que no 3T25, pois esperamos uma perda líquida de 50 mil vidas devido ao fraco desempenho observado nos dados da ANS.Já a margem EBITDA deverá diminuir 3,2 p.p. em relação ao ano anterior, para 9,8%, devido ao aumento da provisão para perdas com sinistralidade (MLR) (2,7 p.p, para 73,7%) e da provisão para reembolso do SUS (+0,6 p.p, para 1,5% da receita). O BBI prevê que a MLR diminua 1,6 p.p. em relação ao trimestre anterior, considerando a pressão de custos cerca de R$ 30 milhões maior proveniente de novos hospitais e um período mais longo de alta frequência de procedimentos.Pressão de custos e margens no curto prazoO JPMorgan também destaca que os custos por beneficiário devem seguir elevados no curto prazo, com aumento de utilização dos serviços, melhora no nível de atendimento e expansão da rede.Com receitas pressionadas por reajustes menores, mudança no mix de clientes e crescimento limitado da base, a expectativa é de desalavancagem operacional até que ocupação, preços e número de beneficiários voltem a crescer, o que deve ocorrer apenas a partir de 2027.The post Hapvida cai 73% desde balanço do 3T e divulga números do 4T25 na 4ª: o que esperar? appeared first on InfoMoney.