A trajetória de aquecimento global está a acelerar a um ritmo sem precedentes e os sinais são cada vez mais claros. Um novo estudo indica que a humanidade poderá ultrapassar o limite de 1,5°C de aumento da temperatura média global antes de 2030, colocando em causa um dos principais objetivos do Acordo de Paris.As conclusões, publicadas na revista científica Geophysical Research Letters, mostram que a atividade humana está a aquecer o planeta mais rapidamente do que em qualquer outro momento desde que há registos. Se entre 1970 e 2015 a taxa de aquecimento se situava abaixo dos 0,2°C por década, nos últimos dez anos esse valor subiu para cerca de 0,35°C por década, o ritmo mais acelerado desde 1880.Aumento de temperatura tem sido constante e consistenteEste aumento não resulta de flutuações naturais. Pelo contrário, os investigadores analisaram cinco grandes conjuntos de dados de temperatura e, após isolarem esses efeitos, verificaram uma aceleração consistente e estatisticamente robusta.As conclusões, sublinhadas pelo Fórum Económico Mundial, reforçam a urgência de reduzir emissões de CO2 rapidamente. Sem cortes rápidos e estruturais, a margem para limitar o aquecimento global a 2°C poderá diminuir de forma significativa, com impactos físicos e económicos cada vez mais evidentes. Portugal multado em dez milhões por falhar em proteger biodiversidadeO Tribunal de Justiça da União Europeia condenou Portugal ao pagamento de 10 milhões de euros por incumprimento das regras comunitárias de proteção de habitats naturais, num caso que expõe fragilidades persistentes na política ambiental do país.Além da coima, o país terá ainda de pagar 41.250 euros por dia até cumprir integralmente a decisão anterior do tribunal, datada de 2019. Em causa está a falta de proteção adequada de 55 zonas com elevado valor ecológico, num processo que os juízes classificaram como de “particular gravidade”, sublinhando tanto a riqueza da biodiversidade nacional como o atraso prolongado na sua salvaguarda.A penalização diária corresponde a 750 euros por cada área ainda não protegida, valor que poderá ser reduzido à medida que Portugal regularize cada um destes territórios. A decisão representa a sanção máxima aplicável neste tipo de infrações e pretende pressionar uma resposta mais célere por parte das autoridades nacionais. União Europeia aprova meta de redução de 90% das emissões até 2040A União Europeia reforçou a sua ambição climática ao aprovar uma nova meta que prevê uma redução de 90% das emissões de gases com efeito de estufa até 2040.O objetivo implica cortes de cerca de 85% nas emissões da indústria europeia face aos níveis de 1990, sendo o remanescente compensado através de mecanismos como créditos de carbono, que poderão financiar projetos de redução de emissões em países em desenvolvimento.Esta meta contrasta com abordagens mais graduais adotadas por outras economias. A China, por exemplo, anunciou recentemente planos para reduzir a intensidade carbónica do seu PIB em 17% até 2030, sinalizando ritmos distintos na transição energética global.Em paralelo, Bruxelas tem procurado equilibrar ambição climática com competitividade económica. No último mês, a UE aprovou uma flexibilização de algumas regras relacionadas com riscos ambientais e de direitos humanos nas cadeias de abastecimento, numa resposta às críticas de excesso de burocracia por parte das empresas.A estratégia evidencia um duplo desafio: acelerar a descarbonização sem comprometer a capacidade competitiva das empresas europeias num contexto económico cada vez mais exigente.China lança o primeiro sistema de IA do mundo para previsão global de aerossóisInvestigadores desenvolveram o AI-GAMFS (Global Aerosol–Meteorology Forecasting System), um novo sistema de previsão global de aerossóis e meteorologia. Baseada em IA, esta plataforma é capaz de produzir previsões para cinco dias, com atualizações a cada três horas em todo o mundo, em menos de um minuto, tendo sido treinada com 42 anos de dados históricos.O modelo combina arquiteturas avançadas de machine learning, nomeadamente vision transformers e redes U-Net, para captar de forma mais eficaz as interações complexas entre aerossóis e condições meteorológicas. O sistema aberto e de baixo custo apoia serviços nacionais e locais de qualidade do ar, bem como previsões de tempestades de areia e ambientais. Além disso, o modelo apresenta menor margem de erro global e melhorias relevantes na previsão da qualidade do ar à superfície, sobretudo em regiões como os Estados Unidos e a China.O conteúdo Aquecimento global acelera: planeta pode ultrapassar limite de 1,5°C já nesta década aparece primeiro em Revista Líder.