A Via Cristais, concessionária que opera o trecho de 594 quilômetros da BR-040 entre Belo Horizonte (MG) e Cristalina (GO), completou um ano de operação na semana passada e inicia agora a fase mais pesada de obras do contrato.Nos primeiros 12 meses, o desafio foi transformar a chamada “Rota dos Cristais” em uma estrada mais segura para os usuários, segundo o CEO da empresa, Tulio Abi-Saber.“Tapamos 4.200 buracos, trocamos mais de 9 mil placas, restauramos a pintura das faixas e recuperamos toda a drenagem. Além disso, havia muitas deformações no pavimento. Estava um desastre”, afirmou à CNN.Controlada pela francesa Vinci Highways, a Via Cristais superou três concorrentes e arrematou a concessão da BR-040 no leilão organizado pelo governo federal em setembro de 2024, conquistando um contrato de 30 anos. Trocar imagemTrocar imagem 1 de 4 Trecho da BR-040 operado pela Via Cristais • Divulgação Trocar imagemTrocar imagem 2 de 4 Trecho da BR-040 operado pela Via Cristais • Divulgação Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 3 de 4 Trecho da BR-040 operado pela Via Cristais • Divulgação Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 4 de 4 Trecho da BR-040 operado pela Via Cristais visualização default visualização full visualização gridUma vez concluídos os trabalhos iniciais, a concessionária planeja atacar em duas frentes.Em uma delas, do segundo ao quinto ano de contrato, prevê uma recuperação “profunda e estrutural” da base da rodovia.“A pista está boa quando vista de cima, mas estruturalmente se encontra abaixo do desejável. Quando chove muito forte, o pavimento se deteriora rapidamente”, explica Abi-Saber.Em outra frente, entre o segundo e o sétimo ano, serão executadas as obras de ampliação de capacidade da Rota dos Cristais: 342 km de faixas adicionais, 62 km de vias marginais, 226 acessos rodoviários, 34 passarelas, 18 passagens de fauna. Grupo francês Vinci Highways vence leilão rodoviário da Rota dos Cristais Sem pedágio, mas com buraco: motoristas sofrem com insegurança na BR-040 Supermarço da infraestrutura: 14 leilões vão testar o apetite do mercado Abi-Saber destaca o compromisso de entrega, até março de 2028, de uma expansão da pista já duplicada na saída de Belo Horizonte — até o entroncamento com o Anel Rodoviário em Ribeirão das Neves (MG).Haverá duas faixas adicionais para veículos (somando-se às duas já existentes), em cada sentido, além de vias marginais no trecho.“Já temos o projeto executivo e a licença ambiental de instalação para as obras. Agora começa a fase de realocação das pessoas que ocuparam indevidamente a faixa de domínio da rodovia e de remoção das interferências, como as redes de energia e de gás.”De Ribeirão das Neves a Sete Lagoas, que também tem pista duplicada e duas faixas em cada sentida, haverá a construção de uma terceira adicional.Além disso, estão previstos investimentos em travessias urbanas, como em Paracatu (MG) — onde o tráfego da rodovia será segregado do fluxo de veículos usado para deslocamentos dentro da cidade. Para isso, a aposta será em vias marginais.FinanciamentoAbi-Saber prefere não falar em valores, mas diz que essas novas frentes representam o ápice de investimentos na concessão.Até agora, a Via Cristais tem usado capital próprio — aportes do acionista e receitas de pedágio — para financiar as intervenções.O executivo afirma que a concessionária está em “fase de estruturação” do lançamento de debêntures no mercado com o objetivo de captar recursos para as obras mais pesadas.Ele reconhece que a taxa de juros, mesmo com um eventual ciclo de queda da Selic, ainda é um empecilho, mas foi precificado pela Vinci Highways ao entrar no leilão da Rota dos Cristais.“O grande desafio no país, para desenvolver a nossa infraestrutura, é o acesso a financiamento mais barato”, diz Abi-Saber.“Obviamente precificamos o cenário [de juros elevados], tudo até agora está em linha com o que previmos, mas ficamos atentos às oportunidades que surgem para assegurar capital mais barato e viabilizar os investimentos”, acrescenta.VinciListada na Bolsa de Paris, o grupo francês Vinci atua em mais de 120 países do mundo em quatro áreas diferentes: concessões, construção pesada, real estate (desenvolvimento imobiliário) e energia.No Brasil, administra os aeroportos de Salvador (BA) e do Bloco Norte de concessões, que incluem Manaus (AM). Em rodovias, além da BR-040 entre Belo Horizonte e Cristalina, adquiriu 55% de participação da Entrevias e assumiu essa concessão no interior de São Paulo em 2023.De acordo com Abi-Saber, a experiência do grupo em rodovias no Brasil tem sido positiva.“Estou positivamente surpreso com a evolução do marco regulatório das rodovias no país. A ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] é hoje uma agência de referência global.”