Após 100% em 4 anos, Artax vê risco escondido no boom das ações nos EUA

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A mesa Artax da Itaú Asset acumulou retorno de 100% em quatro anos de operação — o equivalente a CDI mais oito pontos percentuais ao ano — enquanto a indústria brasileira de multimercados atravessava um dos períodos mais adversos de sua história. O patrimônio gerido já ultrapassou R$ 10 bilhões. Por trás dos números, uma estratégia deliberada de diversificação e, cada vez mais, um alerta que Bruno Bak, head da mesa, considera subavaliado pelo mercado: o efeito riqueza nos Estados Unidos.Com uma parcela historicamente elevada da riqueza das famílias americanas alocada em ações, Bak enxerga um elo frágil entre o desempenho de Wall Street e o consumo real da economia. O raciocínio é simples, mas carregado de implicações: se os mercados tropeçarem, o americano médio consome menos — e a cadeia de consequências pode ser longa.A análise foi apresentada no programa Stock Pickers, em entrevista conduzida por Lucas Collazo. Veja mais: IA enterra modelo de negócios que sustentou setor de softwareE também: IA vai eliminar os empregos mais bem pagos, e o processo já começou“O consumo nos Estados Unidos, no último ano todo, cresceu mais que a renda”, afirmou Bak. “O efeito riqueza que teve das ações subirem fez com que o consumidor americano pudesse consumir mais.” O risco, portanto, não é abstrato: está embutido no próprio motor que tem sustentado a resiliência da economia americana.O gatilho mais provável para esse ciclo adverso, na visão do gestor, seria um questionamento generalizado sobre os modelos de negócio ligados à inteligência artificial — capaz de provocar uma correção mais profunda nas bolsas. Se isso acontecer, o roteiro que ele descreve é clássico: consumo retrai, lucros caem, empregos somem. “Não é o nosso cenário base, mas um risco do micro que pode vir para o macro é esse”— Bruno Bak, head da mesaAtaque ao Irã não derruba bolsas e gestores apontam erro fatal do regimeProdutividade turbinada por IA abre espaço para juros mais baixos, diz KapitaloGeopolítica: a bola difícil que a Artax prefere não baterDiante do caos geopolítico, Bak opta pela humildade metodológica. A Artax, explica, concentra suas apostas onde enxerga vantagens comparativas reais — e conflitos armados não estão nessa lista. Para ilustrar a lógica, recorre a uma analogia de Warren Buffett com o beisebol: no mercado financeiro, diferentemente do esporte, o jogador pode simplesmente deixar passar as bolas difíceis e esperar pela fácil. “Essa pergunta da geopolítica, eu tenho opinião, mas não acho que é onde a gente vai concentrar nossas apostas, porque é mais difícil, é difícil entender”, diz.O impacto mais tangível do conflito no Oriente Médio, para o gestor, corre pelo preço do petróleo e do gás — variáveis com efeito direto sobre Brasil, México e Europa. Sobre quando a guerra termina, Bak é lacônico: “Parece que é um negócio de semanas. Vamos ver como acaba.”Leia tambémMemecoin de Trump dispara até 60% com evento em Mar-a-Lago promovendo o presidenteA conferência Fight Fight Fight, em 25 de abril, é anunciada como um almoço de gala com Trump, de acordo com o site do evento13 dicas para não cair na malha fina no IR 2026Especialistas explicam como evitar erros que travam a restituição e podem gerar multasDois motores, uma carteira que evita o beta BrasilA performance da Artax se apoia em uma arquitetura de gestão com dois motores independentes: um macro e um micro. No primeiro, Bak atua ao lado do sócio Daniel com foco em renda fixa de América Latina. México e Chile são operados com profundidade de quem acompanha esses mercados há mais de duas décadas. “A gente opera México como se fosse um local, a gente opera Chile como se fosse um local”, afirma. Esse conhecimento regional, construído desde 2002, foi um diferencial decisivo nos momentos em que o Brasil pesou contra a carteira.No motor micro, os sócios Stéfano e Lourenço conduzem o stock picking. No Brasil, a preferência recai sobre empresas cujo modelo a equipe domina com profundidade — bancos como Itaú (ITUB4) e BTG (BPAC11) e o setor de utilities. No exterior, a postura é mais cautelosa. “A gente não acha que tem um modelo de Google (GOGL34) melhor do que os nossos concorrentes”, admite Bak. A exceção é a taiwanesa TSMC (TSMC34), fabricante de semicondutores citada como aposta assimétrica: uma empresa que dificilmente será disruptada pela mesma tecnologia que ela viabiliza.A convivência entre os dois motores exige vigilância constante para evitar que o portfólio se converta em um “grande beta Brasil” — situação em que macro e micro apostam na mesma direção ao mesmo tempo. Nos quatro anos de existência da mesa, isso não aconteceu uma única vez. “Nesses quatro anos isso nunca aconteceu”, garante o gestor. A diversificação entre geografias e classes de ativos, conclui, foi o principal fator que permitiu à Artax navegar bem num ciclo em que boa parte da concorrência enfrentou fortes dificuldades.The post Após 100% em 4 anos, Artax vê risco escondido no boom das ações nos EUA appeared first on InfoMoney.