O Supremo Tribunal Federal retoma nesta semana o julgamento do primeiro processo de corrupção por desvio de emendas parlamentares. A Primeira Turma da Corte volta a analisar o caso que pode levar à condenação dos deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Gildenemyr de Lima Sousa (Pastor Gil) (PL-MA) e João Bosco da Costa (Bosco Costa) (PL-SE) por formarem uma organização criminosa voltada à “comercialização de emendas parlamentares”.A discussão do caso terá início na terça-feira, com o voto do ministro Cristiano Zanin, relator. Em seguida, se manifestam os demais integrantes do colegiado — Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Este último, presidente da Primeira Turma, sinalizou que o julgamento deve ser concluído já na terça, inclusive com a possibilidade de a sessão se estender pelo início da noite.Leia tambémBolsonaro está inchado e irritado no hospital, diz CarlosEx-presidente está internado na UTI, onde trata broncopneumoniaRatinho, Caiado e Leite anunciam primeiras medidas caso ocupem PresidênciaGovernadores disputam vaga no PSD para disputar cargo de presidente nas eleições de outubroAs primeiras sessões do julgamento, realizadas na semana passada, foram marcadas pelas manifestações da Procuradoria-Geral da República e das defesas dos acusados. Em sustentação oral, o subprocurador-geral Paulo Vasconcelos Jacobina defendeu uma “firme punição” aos parlamentares em razão da “elevada gravidade das condutas”.O representante da PGR destacou, por exemplo, que a atuação do grupo investigado não se restringiu à prefeitura de São José de Ribamar — caso específico sob análise. Segundo ele, o “aliciamento e cobrança” de valores para liberação de emendas “em municípios diversos” levou à abertura de outras apurações em curso na Corte.Dino aproveitou uma das sessões da semana passada para sair em defesa do tribunal. Ao mencionar decisões recentes sobre a necessidade de transparência na execução das emendas parlamentares, afirmou que o STF “erra, mas acerta muito mais”. Como mostrou o Globo, já era esperado que, em meio ao julgamento, integrantes da Corte fizessem manifestações públicas em uma tentativa de aliviar a tensão vivida pelo tribunal nas últimas semanas, especialmente diante das novas revelações sobre o escândalo do Caso Master.A expectativa é que haja novas manifestações no mesmo sentido ao longo da terça.DenúnciaSegundo a denúncia, entre janeiro e agosto de 2020, os deputados solicitaram de um prefeito do interior do Maranhão o pagamento de R$ 1,7 milhão em propina em contrapartida ao encaminhamento de cerca de R$ 6,7 milhões em emendas parlamentares para a cidade. A PGR também imputou crimes a outros cinco réus, entre eles responsáveis por cobranças e abordagens com o objetivo de obter propinas.Ainda de acordo com o Ministério Público Federal, a organização criminosa seria liderada por Josimar Maranhãozinho, posição que seria comprovada por trocas de mensagens entre ele e os outros deputados acusados sobre o direcionamento de emendas. Em dezembro de 2019, por exemplo, Pastor Gil consultou Josimar sobre quais municípios deveriam receber emendas. “Dei 1.048.000 para São José de Ribamar”, foi a resposta.Em dezembro de 2021, o Globo mostrou trechos de vídeos gravados em ação controlada da Polícia Federal nos quais o deputado Josimar Maranhãozinho entrega uma caixa de dinheiro a um aliado. As imagens foram feitas no âmbito da Operação Descalabro, dentro de um segundo inquérito em que Maranhãozinho é investigado, também por desvios de recursos públicos.The post STF: julgamento pode levar deputados à 1ª condenação por corrupção em emendas appeared first on InfoMoney.