A ação do Banco do Brasil (BBAS3) chegou perto dos R$ 30, patamar em que negociava antes dos resultados ruins que corroeram o lucro em 60%. Porém, o Itaú BBA faz alguns alertas. A corretora atualizou o preço-alvo para R$ 23, o que implica um potencial de queda de 6% em relação ao último fechamento.Não só isso. O BBA também cortou as projeções de lucro para R$ 21 bilhões, abaixo das expectativas da própria empresa (guidance).Segundo os analistas, a alta do papel não tem relação com os fundamentos, mas sim com o forte fluxo de capital para ações de mercados emergentes, como o brasileiro. No ano, o investidor estrangeiro aportou R$ 40 bilhões.Um prato cheio para o BB, já que o papel estava em uma posição tecnicamente barata e com potencial de valorização quando se olha para a relação entre preço e valor patrimonial. A questão é até quando isso pode durar.“Recomendamos que os investidores priorizem a qualidade em busca de momentum e visibilidade nos lucros.” Em vez do BB, o Itaú recomenda compra de Bradesco (BBDC4) e Nubank (ROXO33), ambos com classificação de compra.Agronegócio: tempo ainda ruim para o Banco do BrasilMesmo com algum alívio nas margens dos produtores, o Itaú afirma que elas devem voltar a um cenário de maior pressão. Isso ocorre devido ao excesso de oferta de grãos, somado a um real mais fraco, o que piora tudo.A queda tende a impactar mais as receitas dos produtores do que a reduzir custos, considerando que a maioria das compras de insumos foi feita anteriormente, com uma taxa de câmbio mais depreciada. No ano, o dólar já subiu mais de 3%.Ainda segundo o Itaú, embora a piora das margens dos produtores de soja parecesse menor na comparação anual alguns meses atrás, a recente queda nos preços da commodity se tornou uma preocupação. As cotações saíram de R$ 120 por saca, em outubro de 2025, para cerca de R$ 100 no mercado à vista.Outro ponto negativo é a disparada do petróleo, que deve pressionar as margens de caixa. Somado a isso, há o impacto dos juros elevados. Na última quarta-feira, o Copom reduziu a taxa em apenas 0,25 ponto percentual, abaixo dos 0,5 ponto esperados pelo mercado.“No geral, os lucros dos agricultores devem permanecer pressionados, gerando despesas adicionais com provisões para o BB. Os dados também apontam para baixas contábeis prolongadas por parte do banco, essencialmente adiando parte do que já poderia ter sido reconhecido em provisões.”Tudo para baixoNos cálculos do Itaú, o BB negocia a 0,7x o valor patrimonial e a 6x o lucro por ação, com um rendimento de dividendos de cerca de 5%. Mas não se engane: apesar dos múltiplos aparentemente descontados, o BBA vê riscos de revisões negativas nas estimativas e um período mais longo de ROE abaixo do custo de capital.“Nossas estimativas estão 15% abaixo do que eram há seis meses, embora a ação esteja cerca de 8% mais alta, criando um cenário de risco-retorno desfavorável. Acreditamos na história de longo prazo do banco, mas reiteramos nossa visão cautelosa sobre suas ações.”Enquanto isso, entre os bancos brasileiros, as ações do Bradesco se destacam, com R$ 29 bilhões em lucros, indicando crescimento de 19% no LPA (lucro por ação) e expansão do spread ROE-Ke (retorno sobre o patrimônio líquido menos custo de capital).“A recente transação com o Bradesco Saúde aumenta ainda mais as chances de uma reavaliação e/ou aumento de capital para crescimento e/ou pagamento de dividendos.”