A alemã Siemens Energy assinou um contrato superior a R$ 100 milhões com a Terranova, plataforma de data centers da gestora global Actis, para desenvolver a infraestrutura de energia dos futuros campi de data center da empresa no Brasil, que serão construídos em Campinas (SP).O acordo prevê a construção de uma subestação com isolamento a gás (GIS, na sigla em inglês) com capacidade de 300 MW e a instalação de dois transformadores de 440/34,5 kV e 150 MVA cada, que serão fabricados na unidade da Siemens Energy em Jundiaí e na China.À CNN, Marcela Souza, vice-presidente sênior da Siemens Energy para a América Latina, conta que uma das demandas críticas de um projeto deste tamanho é a compra de equipamentos, visto que há uma corrida diante da alta demanda global puxada principalmente pelos Estados Unidos. Leia Mais Siemens prevê forte demanda por datacenters em 2026 WEG eleva investimentos em 32% e prevê R$ 3,6 bilhões em 2026 Megacarreta com carga destinada à Arábia Saudita avança pela Dutra, em SP “Vimos um crescimento muito grande da nossa exportação para o mercado americano. 80% das fábricas têm produção que vai para lá, coisa nunca vista antes, devido a esse crescimento de inteligência artificial e necessidade de ter linhas de transmissão”, diz Souza.O CEO da Terranova, José Eduardo Quintella, explica que o contrato foi firmado paralelamente à aprovação do acesso à rede elétrica, garantindo as condições de conexão ao SIN (Sistema Interligado Nacional). A região tem alta conectividade e um bom volume de energia para processamento de dados em nuvem e aplicações para inteligência artificial, mas reconhece as limitações do sistema elétrico.“Nestes polos onde estão os principais centros de processamento de dados do Brasil, Santana do Parnaíba (SP) e Barueri (SP), Campinas, Vinhedo, estão as principais cargas do Brasil. E vemos alguns entraves, pois o sistema não comporta um investimento adicional em linha de transmissão”A entrega dos equipamentos está prevista para 2027 e integra a expansão da Terranova no mercado brasileiro de data centers de grande escala, segmento impulsionado pelo crescimento da demanda por serviços digitais e inteligência artificial.Enquanto os equipamentos de transmissão de energia já estão definidos, a próxima etapa do projeto será fechar contratos de longo prazo de compra de energia (PPAs, na sigla em inglês), possivelmente com fontes renováveis. Uma das alternativas consideradas é a Serena, empresa investida pela Actis, que recentemente anunciou a aquisição de uma participação relevante na companhia.A Terranova também ainda não definiu quem serão os clientes dos data centers. Com o avanço do projeto, algum cliente deve surgir, mas trata-se de um mercado restrito, formado principalmente por big techs e empresas de processamento de dados.A aposta de Quintella é que isso pode se acelerar com o Redata, regime especial criado pelo governo para incentivar a instalação de data centers no Brasil com benefícios tributários.