A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) declarou sobreaviso no abastecimento nacional e determinou o aumento imediato da oferta de combustíveis no país, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e ao risco de pressão sobre o mercado interno.Em um documento ao qual o CNN Money teve acesso, a diretoria da agência aponta um “cenário excepcional observado a partir do fim de fevereiro de 2026” e estabelece medidas emergenciais para garantir o suprimento de diesel e gasolina.Entre as ações, a ANP decidiu “declarar sobreaviso no abastecimento nacional de combustíveis” e obrigar agentes do setor a reforçarem a oferta e a transparência de informações. Leia Mais FMI diz que aumento prolongado dos preços de energia pode elevar inflação "Achei que seria pior", diz Trump sobre alta do petróleo Diesel sobe em média para R$ 7,17 por litro apesar de medidas do governo A agência também determinou a flexibilização de regras para facilitar a distribuição. Segundo o documento, a medida busca “aproximar os estoques da ponta de consumo e ampliar a fluidez de suprimento ao mercado” até o fim de abril.Um dos pontos mais contundentes da decisão recai sobre a Petrobras. A estatal foi notificada a recompor imediatamente a oferta após o cancelamento de leilões.O CNN Money entrou em contato com a petroleira e aguarda retorno para atualizar a reportagem.A ANP determinou que a companhia “oferte imediatamente os volumes de combustíveis referentes aos leilões de diesel e de gasolina de março de 2026 que foram cancelados”.Além disso, distribuidoras, importadores e produtores foram alertados a adotar todas as medidas necessárias para evitar falhas no abastecimento, com risco de punição em caso de recusa de fornecimento ou prática abusiva de preços .A decisão também prevê o envio do caso ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), em meio a suspeitas de distorções no mercado.Análise: alta da gasolina por afetar o Brasil | MORNING CALLO movimento da ANP ocorre após o próprio governo já ter acionado o Cade para investigar aumentos considerados atípicos nos preços dos combustíveis. A avaliação é que distribuidoras elevaram valores mesmo sem reajuste nas refinarias, sob justificativa da alta internacional do petróleo provocada pelo conflito no Irã.Nos bastidores, distribuidoras também têm alertado o governo para riscos ao abastecimento diante da volatilidade externa e da dependência de importações — especialmente de diesel, produto mais sensível ao choque internacional.Ao mesmo tempo, o governo tenta conter a alta dos preços com medidas fiscais e regulatórias, mas enfrenta resistência dos estados.A equipe econômica chegou a pedir “boa vontade” dos governadores para reduzir o ICMS sobre combustíveis, mas o Comsefaz classificou a medida como ineficaz e “injustificável”, argumentando que cortes anteriores já geraram perdas bilionárias e nem sempre chegam ao consumidor final .Diante desse cenário, o governo também avalia recorrer à Justiça para pressionar por medidas que ajudem a conter os preços, ampliando a disputa federativa em torno do tema.Entenda se mais etanol na gasolina pode reduzir preço do combustível