O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando-a para 14,75%.A decisão marca o início do ciclo de queda na taxa básica de juros, em um momento de incertezas no cenário econômico global.Para Reinaldo Le Grazie, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, a decisão foi acertada.“O Banco Central não pode ser mais nervoso que o mercado. O Banco Central passou serenidade e demonstrou isso”, avaliou Le Grazie.Segundo ele, a redução de 0,25 ponto em uma taxa de 15% não representa um movimento significativo, mas transmite tranquilidade ao mercado brasileiro. Leia Mais Juro menor é insuficiente para reverter quadro econômico, avaliam entidades Copom corta Selic em 0,25 ponto; entenda impactos para o seu bolso BC cita incerteza global e fala em "calibração" dos juros; veja comunicado Política monetária segue contracionistaApesar do início do ciclo de queda, Le Grazie ressalta que a política monetária brasileira permanece contracionista.“Não há a menor dúvida que vamos continuar com uma política monetária contracionista. Para deixar de ser contracionista, precisaria cair bastante”, explicou.O especialista destacou ainda que o Brasil mantém uma política macroeconômica desequilibrada, com fiscal forte e expansivo, o que exige juros elevados para conter pressões inflacionárias.Outro ponto destacado por Le Grazie foi a mudança na comunicação do Banco Central, que passou a usar o termo “calibração” em vez de “flexibilização”.“Calibração é porque a taxa de juro real era bastante contracionista, a inflação caiu um pouco e a taxa subiu, portanto a taxa de juro real subiu. Então ele está fazendo esse ajuste na taxa. Isso para mim é um pouco mais calibragem do que flexibilidade”, analisou.Perspectivas para os próximos cortesQuanto aos próximos passos da política monetária, Le Grazie acredita que o ritmo de cortes deve acelerar para 0,5 ponto percentual nas próximas reuniões, caso o cenário atual se mantenha ou apresente leve melhora.Sobre o patamar final da taxa Selic neste ciclo, Le Grazie estima que os cortes devem continuar até que a taxa chegue a cerca de 12% ao ano, o que ocorreria por volta de novembro ou dezembro.“Acho que o ritmo de 50 pontos-base é o ritmo que dá conforto. Minha opinião é de que vai ser 50 pontos-base daqui em diante, até uns 12,5%, 12%”, afirmou o ex-diretor do BC.O especialista também comentou sobre o cenário externo, especialmente sobre a postura do Fed (Federal Reserve). Segundo ele, é possível que o Fed não reduza suas taxas de juros em 2026, o que não impediria o Brasil de continuar seu ciclo de cortes, dada a grande diferença entre as taxas de juros dos dois países.Disparada do petróleo: Veja medidas que países estão adotando contra preços Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.