Um documentário já disponível na Netflix vem movimentando as redes sociais. “Por Dentro da Machosfera” colocou o jornalista e documentarista britânico Louis Theroux dentro dos grupos da “machosfera”, subcultura que preza pela superioridade masculina e se popularizou com as plataformas digitais (os famosos “red pills”). Mas como ele conseguiu isso?Documentário descreve a subcultura “red pill”No filme, que tem duração de cerca de 1h30, Theroux conversa com alguns dos porta-vozes mais influentes pelo movimento que trouxe a cultura incel e a ideia do “red pill”;Segundo o jornalista, essas pessoas personificam um “machismo arrogante” e, por vezes, são “misóginas, homofóbicas, antissemitas e racistas”;Grupos como os vistos na película são considerados influenciadores diretos em casos de violência contra mulheres. Acreditam em submissão feminina e disseminam ódio e agressividade ligado ao poder;Esse discurso, que menospreza as mulheres, é disseminado por conteúdos publicados nas redes sociais, tanto gratuitos, como pagos.Segundo Theroux, em entrevista ao podcast “Tudum”, da Netflix, existem três principais aspectos que orquestram a lógica desses grupos: riqueza, boa forma física e potência sexual. O documentarista entende que é um comportamento quase primitivo.“Existem milhões de horas de podcasts que abordam a crise da masculinidade — como vimos um declínio nos empregos e como houve esforços para corrigir a distorção patriarcal na sociedade, o que, por sua vez, desencadeou uma reação contrária”, comentou.Documentarita obteve relatos dos principais nomes do movimento (Imagem: Divulgação/Netflix)Imagem:TV travando? Veja o que fazer para resolver o problema em poucos passosComo migrar do ChatGPT para o Claude e levar seus dadosMeta vai pagar criadores de outras plataformas para postarem no Facebook“Acho que muitos meninos e homens estão perdidos e, quando veem uma resposta fácil — um cara musculoso que parece ser rico dizendo que não é culpa deles e há outra pessoa responsável —, isso é muito atrativo”, analisou.Na estrutura do filme, acompanhamos como Theroux obtém acesso ao topo da cadeia dessa rede de influência. Ele elucida como funciona a lógica da “machosfera”, além de revelar o negócio lucrativo que a movimenta.O jornalista disse que seus entrevistados são pessoas que não costumam acreditar na mídia e, por isso, poderiam não confiar nele para a realização das entrevistas. Mas, segundo o documentarista, alguns argumentos que ele usou funcionaram a seu favor.“Um deles foi o fato de que os programas que eu criei costumam agradar os mais jovens. Acho que eles conseguem ver em mim uma pessoa descontraída, de mente aberta, divertida e um pouco irreverente, que é agradável e não é moralista”, pontuou.“Acho que tenho uma postura heterodoxa o suficiente para me identificar com as partes da cultura da internet que são provocativas. Outra coisa é que eles realmente não se importam com a possibilidade de serem cancelados, então acho que o risco para eles era baixo”, explanou.Ainda, Theroux frisa que não visou, com o documentário, ridicularizar ou enganar seus entrevistados. Contudo, não acredita estar dando ainda mais voz a ideias e vozes com potencial perigoso.“Tento dizer a verdade e os confronto da maneira apropriada. Não estou querendo arrumar briga, apenas entender, ter minhas perguntas respondidas e insistir nas partes que não fazem sentido para mim ou parecem perigosas. No fim do dia, quero criar um programa de TV que interesse às pessoas”, concluiu.O post Saiba como documentarista obteve acesso a influenciadores “red pill” apareceu primeiro em Olhar Digital.