Vorcaro assina termo de confidencialidade que viabiliza delação

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O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, assinou o termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF), o que viabiliza uma negociação para delação premiada. A informação foi noticiada pelo Blog da Andréia Sadi, e confirmada pela Jovem Pan.Nesta quinta-feira (19), o ministro André Mendonça autorizou a transferência do banqueiro da Penitenciária Federal de Brasília à Superintendência Regional da PF no Distrito Federal, local onde estava custodiado o ex-presidente Jair Bolsonaro.A mudança do local de detenção de Vorcaro é um indicativo de que o processo de delação premiada começou. Isso porque, custodiado na Superintendência, o banqueiro fica mais acessível a conversas.Nesse momento inicial, o dono do Master prestará depoimento no qual fará a exposição dos fatos com a apresentação de provas ou indicação de onde podem ser encontradas. Depois, o relator do caso, o ministro André Mendonça, será comunicado. Caberá ao magistrado homologar ou não a delação.Mudança de advogadoNo dia 13 de março, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fez uma troca em sua defesa. O advogado Pierpaolo Bottini deixa a equipe para a entrada de José Luís Oliveira Lima, conhecido como Dr. Juca. Com a mudança, abriu-se a possibilidade de o banqueiro fazer um acordo de delação premiada.Bottini era contra o uso do benefício como estratégia jurídica. Diferente do Dr. Juca, que é especializado em delação premiada. O advogado também defende o general Walter Braga Netto, condenado a 26 anos de prisão por envolvimento na trama golpista.Dias depois de ser preso, Vorcaro havia feito uma sondagem inicial com investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF) sobre a possibilidade de fazer um acordo de delação premiada. Segundo informou o portal UOL, o estágio das tratativas é inicial e ainda não houve a assinatura de um termo de confidencialidade, que formaliza esse tipo de negociação.Entenda o caso MasterApós identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do: Banco Master S/A;Banco Master de Investimentos S/A;Banco Letsbank S/A;Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do Master, teve o seu encerramento forçado.O processo de liquidação foi acompanhado da Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto com o uso de tornozeleira eletrônica. Em 4 de março, ele foi detido novamente.Segundo as investigações, o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, a instituição passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o  Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões. Leia também Mendonça autoriza ida de Vorcaro para a Superintendência da PF no DF