Lançada pela Netflix na última quarta-feira (18), a série Emergência Radioativa retrata uma grande tragédia brasileira, que pode ser desconhecida por boa parte da população mais jovem do país. Em 1987, a abertura inadequada de uma máquina de radioterapia fez com que o elemento Césio-137 se espalhasse por bairros de Goiânia, capital de Goiás.A produção do streaming usa a ficção para recontar os eventos trágicos resultantes desse evento, que incluem desde a internação até a morte rápida de várias pessoas que tiveram contato com o material. No entanto, ela não se aprofunda nas consequências a longo prazo do desastre, que são sentidas por muitos até os dias atuais.O que aconteceu com as vítimas do acidente de Emergência Radioativa?Conforme mostra uma reportagem do Metrópoles, o desastre do Césio-137 mudou para sempre a cidade de Goiânia. Além de deixar 249 contaminados, a situação resultou no monitoramento de outras 112 mil pessoas, que poderiam ter sido expostas à radiação do material.O desastre mostrado em Emergência Radioativa também resultou na demolição de diversas casas contaminadas pelo material;Em um depósito localizado em Abadia de Goiás, na região metropolitana de Goiás, foram depositadas toneladas de materiais radioativos colhidos — a presença do Césio-137 pode demorar três séculos para desaparecer;À reportagem, Lourde das Neves, mãe da menina Leide — retratada com o nome Celeste na série — afirmou que, com o tempo, a população contaminada foi esquecida pelas autoridades;Na época em que o desastre repercutiu, os sobreviventes ganharam direito a uma pensão vitalícia, bem como a várias assistências médicas, que foram diminuindo com o passar do tempo. Segundo ela, o valor atual é insuficiente para comprar os remédios de que precisa mensalmente;“Antes a gente tinha toda a assistência. Ganhava medicação, podia ser o preço que fosse. Tinha o salário, tinha a cesta básica, tinha tudo. Depois saíram cortando”, explicou.Lourdes, que também perdeu seu marido e a residência, não é a única cuja história não é retratada completamente por Emergência Radioativa. Outros sobreviventes também relatam dificuldades atuais, tanto pelo baixo valor da pensão, quando pelos diversos problemas de saúde que desenvolveram como resultado a longo prazo da exposição ao Césio-137 — o que os impede de trabalhar e levar uma vida normal.Vítimas dizem que não foram ouvidas pela produção de Emergência RadioativaA pensão faz parte de uma das principais lutas dos sobreviventes, que afirmam não ter nenhum reajuste há 7 anos. Embora a série da Netflix possa dar esperança de que o caso seja revisitado — e aumente a pressão sobre as autoridades —, os afetados afirmam que não foram ouvidos pela plataforma de streaming.Vítimas afirmam que não foram consultadas pela produção de Emergência Radioativa. Imagem: Divulgação/NetflixMarcelo Santos Neves, presidente da Associação das Vítimas do Césio-137, afirmou ao Metrópoles que a produção de Emergência Radioativa não consultou as pessoas cujos dramas e perdas reais foram tema da história. “As gravações nem aconteceram em Goiânia, foram feitas em São Paulo. Como é que você fazer uma obra contanto essa história e não chama quem realmente viveu tudo isso?”.Ele afirma que, enquanto parte da equipe de produção visitou locais em busca de referências, não houve qualquer conversa com as vítimas. Assim, o show da Netflix está sendo considerado desrespeitoso, tanto por reabrir velhas feridas, quanto por contar versões incompletas das histórias reais que estão lhe rendendo audiência, elogios e lucro.Comente nas redes sociais do Minha Série! Estamos no Threads, Instagram, TikTok e até mesmo no WhatsApp. Venha acompanhar filmes e séries com a gente!