Frete mínimo, caminhoneiros, Bradesco, Petrobras e Raízen: O que bombou na semana

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O Ibovespa recuou 0,81% na semana encerrada no dia 20 de março, com o pregão da sexta-feira (21) “apagando” os ganhos acumulados nos outros dias. No último pregão, o que contaminou o índice foi, principalmente, o temor do mercado de que a Petrobras (PETR4) altere sua política de preços e suas estratégias corporativas em meio à Guerra do Oriente Médio. E as notícias mais ligas da semana, no geral, orbitam esse cenário.A ofensiva do governo contra o descumprimento do frete mínimo, em meio à mobilização dos caminhoneiros que reclamam do preço do diesel, e a atualização dos proventos da Petrobras estiveram no centro das atenções. Também entraram no radar uma entrevista sobre a recuperação do Bradesco (BBDC4) e a exclusão da Raízen (RAIZ4) do Ibovespa após a recuperação extrajudicial.Entre os temas mais lidos aqui no Money Times, aparecem ainda o embate entre governo e grandes companhias citadas por Renan Filho no debate sobre transporte rodoviário, a tentativa de arrefecer a ameaça de paralisação dos caminhoneiros e os desdobramentos corporativos que mexeram com investidores ao longo dos últimos dias. Confira o que mais ganhou destaque na semana.Empresas na mira por descumprimento do frete mínimoA matéria mais lida da semana mostrou o endurecimento do governo sobre o cumprimento da tabela do frete mínimo. O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou, na quarta-feira (18) que MBRF (MBRF3), Raízen (RAIZ4), Cargill, Vibra (VVBR3) e Ambev (ABEV3) estão entre as empresas que mais descumpriram o piso nos últimos quatro meses e disse que a fiscalização será reforçada. Segundo ele, a ideia é adotar medidas para impedir que reincidentes continuem contratando frete e transportando cargas.O assunto ganhou tração por tocar diretamente um setor sensível da economia e por atingir grupos de peso do agronegócio, combustíveis e bebidas. No noticiário, companhias citadas pelo ministro rebateram a leitura do governo e disseram que seus modelos de contratação levam em conta diferentes componentes no cálculo do frete, o que, segundo elas, não apareceria em análises parciais.Caminhoneiros recuam e apostam em negociaçãoAs falas de Renan Filho apareceram após o aumento da tensão no setor de transporte, que também apareceu entre os assuntos mais lidos com o recuo da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL). A entidade decidiu suspender o apoio à paralisação aprovada por caminhoneiros autônomos de Santos após conseguir uma reunião com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.A leitura foi a de que a abertura de um canal de diálogo com o governo ajudou a esfriar, ao menos temporariamente, a ameaça de uma greve mais ampla. Em nota, a entidade disse apoiar as pautas prioritárias da categoria, mas defendeu a suspensão do movimento enquanto houver espaço para negociação.Bradesco abre o jogo sobre a recuperaçãoNo noticiário corporativo, uma das reportagens que mais chamou atenção foi a entrevista sobre o processo de reconstrução do Bradesco (BBDC4). A matéria relembrou que, após anos de pressão, o banco chegou ao pior momento no primeiro trimestre de 2024, quando o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caiu para 7,2%, bem abaixo do patamar histórico acima de 15%.O interesse dos leitores refletiu a tentativa do mercado de entender até onde vai a recuperação do banco e quais sinais concretos já podem ser vistos nos resultados. O pano de fundo é uma história de perda de eficiência, avanço das fintechs e questionamentos sobre o modelo tradicional dos bancões, tema que ainda mobiliza investidores.Petrobras atualiza valor de dividendo e JCPA Petrobras também figurou entre os assuntos mais lidos ao atualizar o valor por ação da segunda parcela dos proventos aprovados em novembro de 2025. O montante originalmente anunciado de R$ 0,47160377 por ação foi corrigido pela Selic para R$ 0,48585087 por papel, somando dividendos e juros sobre capital próprio.O pagamento foi marcado para 20 de março de 2026, para os acionistas com posição na companhia em 22 de dezembro de 2025. Como costuma acontecer com qualquer ajuste em remuneração ao acionista da estatal, a notícia rapidamente ganhou espaço entre os leitores e investidores de varejo.Raízen sai do Ibovespa após recuperação extrajudicialFechando a lista, a Raízen voltou aos holofotes depois de ser excluída do Ibovespa e de outros índices da B3. Segundo a bolsa, a retirada foi motivada pela recuperação extrajudicial da companhia, cujo pedido havia sido aceito pela Justiça na semana anterior.A exclusão reforçou a deterioração da percepção do mercado sobre a empresa. A reportagem destacou que RAIZ4 já vinha negociando abaixo de R$ 1 havia 42 pregões e que, mesmo com alguma reação após a saída dos índices, o saldo acumulado de 2026 seguia negativo em 38%.