Juca de Oliveira é conhecido da TV, mas sua paixão era o teatro; saiba mais

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A paixão de Juca de Oliveira pelos palcos foi uma constante em sua trajetória profissional. Mesmo após o sucesso na televisão, o ator, dramaturgo e diretor, que morreu neste sábado (21) aos 91 anos, manteve laços com o teatro e defendeu a produção independente. Sua carreira, que se estendeu por mais de 70 anos, é um reflexo da própria história do teatro e da televisão do país.Juca de Oliveira nasceu em São Roque, interior de São Paulo, em 16 de março de 1935. Sua entrada no teatro ocorreu após um teste vocacional, que o surpreendeu. Ele já havia atuado na escola e, ao ver um anúncio de jornal para um grupo de teatro, decidiu fazer um teste. Leia Mais Casado há mais de 50 anos, Juca de Oliveira teve apenas uma filha Juca de Oliveira: famosos lamentam morte do ator, aos 91 anos Juca de Oliveira, de 91 anos, está internado em estado delicado em UTI Lá, conheceu Glória Menezes e descobriu a Escola de Arte Dramática. Por um período, conciliou o trabalho em um banco, a graduação em direito na USP (Universidade de São Paulo) e a escola de teatro, optando pelo teatro no terceiro ano da faculdade.Segundo o Memória Globo, seu primeiro espetáculo, “Frei Luis de Sousa”, de Almeida Garrett, não obteve grande sucesso, mas foi visto por Flávio Rangel, que o convidou para o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia). Juca relatou que foi no palco deste primeiro espetáculo, contracenando com Aracy Balabanian, que percebeu sua vocação.No TBC, iniciou sua carreira profissional, encenando peças como “A Semente”, de Gianfrancesco Guarnieri, e “A Morte do Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller, que lhe rendeu o prêmio Saci como coadjuvante.Ainda de acordo com o Memória Globo, nessa época, Juca de Oliveira se envolveu com política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro e atuando em sindicato.No início dos anos 1960, ao lado de Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Paulo José e Flávio Império, adquiriu o Teatro de Arena. A sala, com capacidade para 80 ou 90 espectadores, foi palco de sucessos como “Eles Não Usam Black-Tie”, de Guarnieri, uma obra contra a censura.O Arena se tornou um centro de produção intelectual e resistência à ditadura militar, sendo “brutalmente atingido” e fechado, com seus membros perseguidos.Exílio na BolíviaAs perseguições levaram Juca de Oliveira ao exílio na Bolívia, ao lado de Guarnieri. Eles davam aulas no país vizinho, mas decidiram retornar ao Brasil após a prisão do pai de Guarnieri. De volta ao país, Juca retomou os palcos e iniciou sua trajetória na TV Tupi, participando de sua primeira telenovela, “Quando o Amor é Mais Forte”, em 1964.Em 1969, protagonizou a novela “Nino, o Italianinho”, consolidando seu nome junto ao público. Ele também dirigiu a novela “Irmãos Corsos” e alguns episódios de “Alô, Doçura”, experiências que descreveu como “um inferno”, optando por não dirigir mais.Em 1968, Juca de Oliveira assumiu a presidência do Sindicato dos Atores de São Paulo, onde obteve avanços para a categoria, como a regulamentação da profissão, o estabelecimento de um tempo máximo de gravação e a criação de uma lei que exigia a liberação do texto para memorização 72 horas antes da gravação, conforme o Memória Globo.Em 1973, estreou na TV Globo em “O Semideus”, de Janete Clair, e em 1976, atuou em “Saramandaia”, de Dias Gomes, sob direção de Walter Avancini, que ele considerava fundamental para a linguagem da teledramaturgia brasileira.Sucesso na dramaturgiaComo dramaturgo, Juca de Oliveira se destacou com comédias que abordavam humor e crítica social, inspiradas em fatos reais e na tradição grega. Ele escreveu 11 peças teatrais, que se tornaram sucessos e atraíram grandes nomes do teatro brasileiro.Entre suas obras mais conhecidas estão “Qualquer Gato Vira-Lata Tem uma Vida Sexual Mais Saudável que a Nossa” (seu maior sucesso), “Baixa Sociedade”, “Meno Male”, “Hotel Paradiso”, “Caixa 2”, “Às Favas com os Escrúpulos” e “A Flor do Meu Bem-Querer”.Nessas produções, Juca de Oliveira frequentemente protagonizou ou coestrelou suas próprias criações, como em “Baixa Sociedade” (1979), “Caixa 2” (1998), “Meno Male” (1987), “Às Favas com os Escrúpulos” (2007), “A Flor do Meu Bem-Querer” (2003) e “Qualquer Gato Vira-Lata…” (1990 e remontagens).Grandes nomes do teatro e da TV brasileira também estrelaram suas peças. Bibi Ferreira atuou em “Às Favas com os Escrúpulos” (2007), ao lado de Juca e Neusa Maria Faro. Cássio Gabus Mendes integrou o elenco de “Caixa 2”, que teve montagem posterior com Daniel Dantas e Giovanna Antonelli.Luiz Fernando Guimarães protagonizou “Baixa Sociedade” (1979 e remontagens recentes com Isabella Santoni), e atuou em “Qualquer Gato Vira-Lata Tem uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa” (remontagem de 2026, com Duda Reis).A peça “Meno Male”, estreada em 1987, foi um marco, permanecendo anos em cartaz e sendo vista por milhões de espectadores, abordando a degradação urbana. “Caixa Dois” e “Às Favas com os Escrúpulos” são citadas como exemplos de sua habilidade em equilibrar entretenimento com reflexão crítica.Juca de Oliveira participou de mais de 30 novelas e minisséries na televisão, dez longas-metragens e 60 peças como ator, além de suas obras como autor, segundo o Memória Globo. Ele defendia a flexibilidade do ator, afirmando ter aprendido a não ter uma abordagem fixa para a interpretação. Sua contribuição para a dramaturgia brasileira é reconhecida por críticos e colegas.São Paulo ganha centro cultural dedicado ao teatro