Investigadores da PF (Polícia Federal) veem como um “drible” da presidência da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ter pedido à empresa Apple arquivos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que haviam sido excluídos pela PF antes de o material ser enviado ao colegiado.No material que foi excluído pela equipe de investigação, e depois baixado novamente e armazenado pela CPMI, havia imagens íntimas de Vorcaro, de sua ex-noiva e de parlamentares.Na terça-feira (17), a PF foi novamente ao Senado Federal para retirar o material do sistema por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal) e formatou os computadores. Leia Mais Viana critica STF e diz que CPMI não aceitará perda de prerrogativas Vorcaro recebeu série de atendimentos de advogados antes de mirar delação Defesa de Vorcaro propõe a Mendonça delação inédita e conjunta com PF e PGR Delegados ouvidos pela reportagem dizem que o material não era pertinente para a investigação.Durante a ação, a PF diz que constatou a reintrodução dos dados anteriormente excluídos.“A medida decorreu de solicitação direta da Presidência da CPMI à empresa Apple. O fato gerou novo fluxo de download e de armazenamento dos arquivos, fora do controle inicial da cadeia de custódia estabelecida judicialmente”, declarou a PF oficialmente em nota.O comunicado da PF gerou reação da CPMI.Em nota, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), rebateu ao dizer que a Constituição Federal confere às comissões parlamentares de inquérito poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, inclusive a prerrogativa de requisitar informações, documentos e dados diretamente de entidades públicas e privadas.“Foi exatamente dentro desse contexto que a Presidência da CPMI, no exercício regular de suas atribuições institucionais, e em cumprimento de deliberação do colegiado, realizou solicitação de informações à empresa Apple, procedimento absolutamente legítimo, amparado pela Constituição e pela jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal”, pontuou.O senador declarou que não se tratou de interferência em investigação em curso ou de manipulação ou reconstrução de prova sob cadeia de custódia.Cadeia de custódia é o conjunto de procedimentos rigorosos para rastrear, documentar e preservar vestígios e provas de crimes desde a coleta até o descarte, garantindo a integridade e idoneidade da prova penal, seguindo o Código de Processo Penal para evitar adulteração, contaminação de provas e assegurar sua legitimidade no julgamento.Após vazamentos de dados íntimos e informações de entrada de pessoas não autorizadas na “sala-cofre” do Senado para ver as imagens, o STF determinou o bloqueio de todos os dados e, com isso, que a PF fosse retirar todo o material.A PF comunicou ao ministro André Mendonça, do STF, sobre a reinserção dos dados anteriormente excluídos. Possíveis medidas em relação ao episódio ficam a cargo do relator do caso.PF diz a STF que CPMI restaurou dados de Vorcaro que haviam sido apagados | CNN NOVO DIA