Hapvida (HAPV3) derrete 14% na abertura após 4T25 fraco, mas inverte sinal e lidera ganhos do Ibovespa

Wait 5 sec.

As ações da operadora de saúde Hapvida (HAPV3) despencaram 14,74%, a R$ 7, na abertura do Bolsa de Valores, liderando as perdas do Ibovepa após o resultado do quarto trimestre de 2025 (4T25) avaliado como negativo pelo mercado com os números de margens e fluxo de caixa pressionados.No período, a Hapvida registrou lucro líquido ajustado de R$ 180,6 milhões, uma queda de 64,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. No consolidado de 2025, o lucro líquido ajustado soma R$ 1,234 bilhão, um recuo de 32,3% ante 2024.O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) ajustado totaliza R$ 713,8 milhões, uma queda de 32,8%. No consolidado do ano, o Ebitda ajustado soma R$ 3,369 bilhões, uma baixa de 10,9%.A avaliação de que o trimestre da Hapvida foi fraco é consenso entre os analistas, que atentam ainda para as incertezas de melhora operacional da companhia no curto prazo e para a possibilidade de números mais baixos à frente. new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "HAPV3", "HAPV3" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "5658c6b"} ); Ao longo da manhã, porém, a ação moderou a queda e virou após leilões. Por volta das 12h25 (horário de Brasília), a HAPV3 subia 7,92%, a R$ 8,86. Com isso, a Hapvida passou a liderar os ganhos do Ibovespa.Há espaço para revisões negativas de lucro da HapvidaO Banco Safra destaca que os números fracos da Hapvida no 4T25 já eram esperados diante do contexto de maior utilização e do ramp-up da rede expandida.“No entanto, a magnitude da pressão recorrente sobre margens foi relevante, com fortes perdas de beneficiários e aumento da alavancagem adicionando desafios à tese de investimento”, pondera o banco.Para o Safra, o trimestre reforça a narrativa de que os desafios da Hapvida têm componentes tanto transitórios — utilização, inverno prolongado — quanto estruturais — ramp-up custoso da rede própria, concorrência na Região Sudeste.Apesar disso, a administração posicionou 2026 como um ano de execução e recuperação gradual, sem prometer uma virada imediata, observa o analista do Safra Ricardo Boiati.O Safra mantém a recomendação neutra para HAPV3 e reforça enxergar espaço para novas revisões baixistas de lucro. O preço-alvo para o papel é de R$ 22,50, com potencial de valorização de 174% em relação ao valor do fechamento anterior.Incertezas quanto à melhora da Hapvida no curto prazoO Bradesco BBI considera que a deterioração da sinistralidade (MLR) em 0,3 ponto porcentual, a perda relevante de beneficiários no 4T25, de 140 mil vidas, e o consumo de caixa reforçam um trimestre operacionalmente fraco para a Hapvida.A piora nos números, segundo o BBI, esteve atrelada à defasagem entre uso e faturamento da rede credenciada, ramp-up da rede própria, redução sazonal tardia de volumes, expansão deliberada da rede assistencial e maior demanda no inverno mais seco do Sul e Sudeste.Além disso, a instituição observa que as despesas gerais e administrativas ajustadas da Hapvida subiram, impulsionadas por contingências, assim como as despesas comerciais, com maiores gastos em comissões e marketing.“A dinâmica de crescimento moderado de receita, combinada com a perda líquida de vidas e maior pressão sobre custos, aumenta a incerteza sobre melhora no curto prazo”, avaliam os analistas do BBI Marcio Osako e Larissa Monte.Os analistas complementam seguir com postura cautelosa para Hapvida diante da visibilidade limitada sobre recuperação de margens, estabilização de base de beneficiários e conversão de caixa.Para 2026, o BBI estima margem Ebitda de 9,5%, com cada 1 ponto porcentual abaixo desse nível tendo impacto negativo de aproximadamente R$ 40 milhões no lucro projetado de R$ 550 milhões.Desafios contínuos no campo da rentabilidade de HAPV3Para o Itaú BBA, o 4T25 foi um encerramento de ano difícil para a empresa, com os principais indicadores de desempenho da empresa indicando uma dinâmica operacional desfavorável.“Apesar de nossas premissas já conservadoras, os resultados reportados do 4T25 vieram mais fracos do que o esperado. Destacamos a continuidade do churn (perda de beneficiários), bem como a pressão sobre a sinistralidade de caixa e o fluxo de caixa”, destaca o banco de investimentos.De modo geral, os resultados ficaram abaixo das expectativas e sugerem desafios contínuos no campo da rentabilidade, o que pode gerar uma reação negativa do mercado.O BBA mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 15, um potencial de valorização de 82% do papel em relação ao fechamento anterior.