Ônibus elétricos contribuem para o sistema de energia nos EUA

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Em Oakland, na Califórnia, um projeto inovador está transformando o transporte escolar em uma peça-chave da transição energética. Em um antigo complexo industrial na região leste da cidade, 74 ônibus escolares elétricos não apenas substituem veículos a diesel, como também passam a funcionar como unidades móveis de armazenamento de energia. A iniciativa é liderada pela Zum, startup de São Francisco, que aposta na conversão dessas frotas em sistemas capazes de devolver eletricidade à rede nos momentos de maior demanda.“Hoje marca a próxima fase da nossa evolução”, disse Ritu Narayan, CEO e cofundadora da Zum, durante o lançamento da primeira frota de ônibus escolares totalmente elétricos do país. Ao integrar mobilidade e energia, a empresa busca se consolidar tanto como operadora de transporte quanto como participante do setor elétrico.A Zum já atende grandes distritos escolares nos Estados Unidos, como São Francisco, Los Angeles e San Bernardino, e pretende eletrificar 10 mil ônibus nos próximos quatro anos. A proposta é reduzir significativamente as emissões de carbono e melhorar a qualidade do ar nas comunidades atendidas. Em Oakland, os 74 veículos usados no transporte de estudantes com necessidades especiais devem evitar a emissão de 25 mil toneladas de poluentes. Narayan destaca que a substituição dos cerca de 500 mil ônibus escolares a diesel dos Estados Unidos por modelos elétricos poderia evitar a emissão de aproximadamente 8,4 milhões de toneladas de gases de efeito estufa por ano. Ainda assim, a transição enfrenta desafios: os ônibus elétricos custam de duas a três vezes mais do que os convencionais, e menos de 2% da frota nacional era elétrica até meados de 2024, apesar dos incentivos públicos disponíveis.É nesse cenário que a tecnologia veículo-rede (V2G) ganha relevância. O sistema permite que veículos elétricos devolvam energia à rede quando não estão em uso. Como os ônibus escolares ficam parados por longos períodos após as rotas diárias, eles podem ser carregados fora do horário de pico, muitas vezes com energia solar excedente, e fornecer eletricidade no fim do dia, quando a demanda aumenta. Segundo a Comissão de Energia da Califórnia, a eletrificação dos 25 mil ônibus escolares do estado poderia gerar mais de um gigawatt de energia para a rede. Isso transforma esses veículos em ativos estratégicos não apenas para o transporte, mas também para a infraestrutura energética.Foto: Mary Taylor | PexelsA implementação do projeto contou com apoio da PG&E, maior concessionária de energia da Califórnia. “A PG&E aceitou o desafio e forneceu a energia necessária para abastecer esses ônibus  e conseguimos fazer isso um ano antes do prazo“, afirma Patti Poppe, CEO da empresa. A parceria permite que os ônibus ajudem a aliviar a pressão sobre o sistema elétrico nos horários de pico. Embora seja o maior projeto do tipo no país, a iniciativa não é isolada. Estados como Maryland, Massachusetts, Colorado e Illinois também testam soluções semelhantes, com participação de empresas como Highland Electric Fleets, Nuvve e Fermata Energy.O principal desafio, no entanto, ainda é econômico. Os modelos de remuneração para projetos V2G estão em estágio inicial, o que dificulta prever receitas. Programas como o Programa de Redução de Carga de Emergência da Califórnia (ELRP), que paga US$ 2 mil por megawatt-hora durante interrupções ajudam, mas não garantem estabilidade financeira. Para avançar, Zum e PG&E desenvolvem um projeto piloto com tarifas dinâmicas, que recompensam o carregamento fora do horário de pico e a devolução de energia nos momentos críticos. “Queremos saber exatamente quanto dinheiro podemos ganhar com o carregamento conectado à rede”, disse Narayan. A empresa também tem reduzido custos por meio de incentivos públicos. Segundo Vivek Garg, cofundador e diretor de operações, foi possível “reduzir o custo deste projeto em 50%” com subsídios e reembolsos. Isso viabilizou um contrato de cinco anos, de US$ 11,2 milhões, com o Distrito Escolar Unificado de Oakland, mantendo custos equivalentes aos ônibus a diesel.Parte do financiamento veio do Programa de Ônibus Escolares Limpos da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), criado pela Lei de Infraestrutura Bipartidária de 2021. A Zum recebeu US$ 26,5 milhões para adquirir 80 ônibus elétricos, dez deles já em operação em Oakland, além de recursos adicionais do Conselho de Recursos Atmosféricos da Califórnia (CARB) e da PG&E. A expectativa agora é expandir o modelo para outras cidades, com a eletrificação de mais de 200 ônibus em São Francisco e apoio à conversão de 450 veículos em Los Angeles. À medida que o projeto avança, Oakland se consolida como um laboratório para um novo modelo energético, no qual ônibus escolares deixam de ser apenas meios de transporte e passam a integrar ativamente o sistema elétrico. Leia também: 1.Pontos de ônibus verdes ganham espaço pelo mundo 2.PL pode tornar ônibus 100% gratuito em BH The post Ônibus elétricos contribuem para o sistema de energia nos EUA appeared first on CicloVivo.