Autoridades iranianas têm se mostrado relutantes até mesmo em discutir a reabertura do Estreito de Hormuz, à medida que concentram esforços em sobreviver à ofensiva dos Estados Unidos e de Israel, segundo uma pessoa envolvida em contatos diretos, de alto nível, com Teerã.Ataques à infraestrutura de energia e investidas contra autoridades iranianas de alto escalão, incluindo o assassinato do chefe de segurança Ali Larijani, representam uma escalada que vem desacelerando as tentativas de retomar o fluxo de navios comerciais, acrescentou essa pessoa, sob condição de anonimato para falar sobre conversas privadas.Leia tambémPetrobras é a petroleira que mais se valoriza entre as grandes desde início da guerraO movimento altista da estatal brasileira reflete, sobretudo, a exposição direta à forte subida do petróleoEUA: secretário defende retirada de sanções sobre o petróleo iraniano“Em questão de dias, em três ou quatro dias, esse petróleo começará a chegar aos portos”, disse Chris Wright em entrevista à Fox BusinessNa prática, isso significa que Reino Unido, França e outros países perderam tração em sua iniciativa de escoltar embarcações pelo estreito quando a guerra acabar — e, por enquanto, não há sinal de término da violência.O sentimento é compartilhado em toda a Europa e no Oriente Médio, de acordo com pessoas familiarizadas com as negociações. Autoridades estão perdendo a confiança de que Estados Unidos e Israel tenham um plano de saída e veem pela frente perturbações econômicas ainda mais profundas. Em Bruxelas, na quinta-feira, líderes da União Europeia demonstraram preocupação com um choque de preços prolongado.A avaliação é especialmente preocupante para a Europa, que tenta ao mesmo tempo reduzir custos de energia, reconstruir suas Forças Armadas e aumentar a pressão sobre a Rússia para encerrar a guerra na Ucrânia. Nada disso funciona bem se o Estreito de Hormuz estiver paralisando a economia.“O verdadeiro desafio agora é afirmar a posição da Europa nesse mundo cada vez mais desafiador e garantir que possamos acompanhar o ritmo, tanto em termos de nossas capacidades de defesa quanto de nosso suprimento de energia”, disse o chanceler alemão Friedrich Merz, na quinta-feira. “Tudo isso só é possível com uma economia forte.”Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã e a embaixada iraniana em Londres não responderam imediatamente a um pedido de comentário.Guerra em expansãoNo início da guerra, o Irã disse a intermediários regionais que estava disposto a discutir uma trégua se tivesse garantias de que não haveria novos ataques ao país.Essa possibilidade agora parece distante.A guerra, que caminha para a quarta semana, já matou mais de 4.200 pessoas em toda a região e praticamente paralisou o transporte marítimo pelo Estreito de Hormuz — um gargalo por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo.Embora os ataques do Irã contra instalações críticas de energia tenham diminuído em relação ao pico observado no início desta semana, os preços do petróleo Brent mantiveram a trajetória de alta após o fechamento de quinta-feira no maior nível desde meados de 2022.A crise intensifica preocupações globais com o abastecimento de energia, sobretudo depois de Israel ter bombardeado South Pars e o Irã ter atacado Ras Laffan, duas grandes instalações de gás. Os ataques a Ras Laffan, em particular, estão mudando os cálculos e, na prática, retiram o Qatar da lista de fornecedores confiáveis pelos próximos anos.Na quinta-feira, o Banco Central Europeu afirmou que uma interrupção prolongada elevaria a inflação da zona do euro para 6,3% e provocaria uma breve recessão.“Este é um exemplo claro das consequências globais desta guerra”, disse o primeiro-ministro sueco Ulf Kristersson, na quinta-feira. “É claro que estamos preocupados — e mais ainda todos os países altamente dependentes de entregas de gás.”Um alto funcionário de governo afirmou que o mundo agora aprendeu que o Irã “não conhece limites” e que a infraestrutura de energia deixou de ser segura. Uma das preocupações é que, se os iranianos destruírem instalações, mesmo a reabertura do estreito não terá tanto impacto até que os reparos sejam concluídos.Países da União Europeia concordam que a escassez de gás também provocará uma disputa com a Ásia pelas cargas de gás natural liquefeito, o que significa anos de inflação mais alta. Além disso, vai retirar do mercado global um excedente de GNL que era esperado — e o aumento da produção dos EUA só consegue compensar parcialmente as perdas vindas do Qatar.Para a UE, isso levanta dúvidas sobre se o bloco conseguirá, de fato, se livrar de vez da energia russa como forma de retaliação pela invasão da Ucrânia.O plano de eliminar gradualmente o gás russo se baseava na expectativa de que a Europa poderia obter mais fornecimento do Oriente Médio e dos EUA. E cresce o risco de que o embargo planejado ao petróleo russo seja adiado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.Isso é um enorme presente para Vladimir Putin, da Rússia, que já se beneficia da alta dos preços globais do petróleo, ajudando a financiar sua guerra na Ucrânia.Mesmo que Estados Unidos e Israel encontrem alguma forma de se desvincular do conflito, já há temor de que navios ainda se recusem a atravessar Hormuz, disse um alto funcionário europeu.“Estou muito preocupado com o que está acontecendo com os ataques à infraestrutura de energia no Oriente Médio”, afirmou o primeiro-ministro holandês Rob Jetten na quinta-feira, em Bruxelas. “O impacto global será — ou poderá ser — severo.”© 2026 Bloomberg L.P.The post Irã diz que não irá nem discutir reabertura de Ormuz enquanto estiver sob ataque appeared first on InfoMoney.