Taxa mínima para entregadores reduzirá pedidos em 67%, diz pesquisa do iFood

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A implementação de uma taxa mínima por entrega nos serviços prestados via aplicativo pode reduzir a quantidade de pedidos nessas plataformas em até 67%. É o que aponta uma pesquisa da PiniOn, encomendada pelo iFood, divulgada na segunda-feira (16).O eventual aumento de preços no delivery veio à tona com a proposta de taxa mínima para entregadores atualmente em discussão na Câmara dos Deputados. Divergências sobre o valor da tarifa e outros detalhes têm travado o avanço do projeto.Classe C será a principal afetadaDe acordo com o estudo, o aumento de preços causado pela nova taxa mínima faria com que somente 13,5% dos usuários mantivessem a frequência de pedidos. Além disso, quase 15% abandonariam os serviços de entrega por app.Ainda conforme a empresa de pesquisa de mercado e coleta de dados, 56,4% dos usuários que desistiram de finalizar uma compra apontaram o preço como principal motivo, incluindo a taxa de entrega;Com a regulamentação proposta, 81,6% dos consumidores seriam impactados, causando uma retração drástica no setor;Usuários de apps de entrega que pertencem à classe C seriam os principais afetados, segundo o levantamento, tornando o serviço elitizado;Aproximadamente um terço deles deixaria de realizar pedidos via delivery se os preços aumentassem, enquanto quase 20%, atualmente isentos, passariam a pagar pela entrega.Segundo o levantamento, clientes devem reduzir a quantidade de pedidos em caso de aumento de preços associado à taxa mínima de entrega. (Imagem: Igor Suka/Getty Images)A empresa de delivery de comida ressaltou, também, que o aumento do valor dos pedidos não representa renda maior para o entregador, ao contrário do que se possa imaginar. Além disso, destacou a possibilidade de gerar ociosidade e perda de vagas de trabalho.Realizada em fevereiro, a pesquisa entrevistou mais de 1,5 mil usuários de apps de entrega, de todas as regiões do Brasil, e aponta ainda que 22,1% usam o delivery entre duas e três vezes por mês. Confira o estudo completo aqui.Divergências entre governo e empresasNa versão mais recente do projeto, a previsão é de R$ 8,50 por entrega, mas o governo defende uma taxa mínima de R$ 10,00 mais R$ 2,50 por quilômetro adicional. A regulamentação inclui, ainda, o fim das entregas agrupadas e pontos de apoio pagos pelos apps, entre outras coisas.Por sua vez, os apps de delivery são favoráveis à remuneração mínima por hora trabalhada, pagamento de parcela de contribuição social e seguro acidente. Eles também afirmam que não são empresas de transporte e sim de tecnologia.A previsão é de que o texto seja colocado em votação na Câmara dos Deputados até abril, embora as conversas recentes entre o governo e as empresas não tenham terminado em acordo.Recém-lançada no Brasil, a plataforma de delivery chinesa Keeta fez a sua primeira demissão em passa no país. Leia esta matéria para saber mais sobre os protestos dos funcionários.