Há 1100 anos, poços escalonados na Índia eram espaços construídos não apenas para armazenar água, mas também como grandes espaços sociais que reuniam a comunidade. Com esta inspiração, o escritório de Arquitetura e Design Sanjay Puri Architects desenhou o prédio de uma universidade com telhado escalonado que fomenta a interação social e a realização de eventos.Situado em um campus de 129.500 m², a Prestige University abriga salas, escritórios administrativos, auditório, salas de seminários, biblioteca e refeitório. Construído diagonalmente, a construção eleva-se gradualmente disfarçando sua altura de 28 metros e transformando-se em um palco multifuncional.O edifício de tijolos vermelhos possui cinco andares com degraus que se elevam do solo ao telhado, formando pequenos pátios ajardinados conectados por escadas. Todo o terraço é acessível para alunos e funcionários da universidade.As áreas são intercaladas com pátios abertos, iluminados e ventilados naturalmente. A luz indireta penetra os volumes internos em cada nível. O edifício, desta forma é energeticamente eficiente, tendo mínima dependência de iluminação artificial e ar condicionado. Tais elementos de design foram planejados como resposta ao clima da cidade, que varia de 30º a 40º Celsius durante oito meses do ano. Foto: Vinay PanjwaniTelhado escalonadoAlém de formar uma série de jardins acessíveis, o grande trunfo do telhado escalonado da Prestige University é criar áreas de lazer de estímulo ao convívio social. Um total de 463 plataformas escalonadas formam um jardim na cobertura de 9 mil m², sendo algumas dessas plataformas acessíveis para cadeirantes.Foto: Vinay PanjwaniAs plataformas escalonadas transformam-se em múltiplos espaços para diferentes atividades simultâneas e formam um auditório ao ar livre para eventos de grande escala, com capacidade para até nove mil estudantes por vez.Por dentro da universidadeAs áreas comuns, incluindo uma praça de alimentação, um auditório e os escritórios administrativos, estão localizadas no térreo para facilitar o acesso. Os diversos componentes da biblioteca ficam no primeiro andar, conectados por uma passarela sobre a rua diagonal interna que atravessa o edifício. Foto: Vinay PanjwaniJá as salas de aula comuns ocupam o segundo andar, recebendo luz e ventilação dos diversos vãos e pátios abertos. Esses pátios abertos servem como área de convivência para atividades recreativas. O terceiro andar abriga salas de aula em formato de anfiteatro, e o quarto andar abriga todas as instalações administrativas e destinadas ao corpo docente.Foto: Vinay PanjwaniAs fachadas leste, oeste e sul do edifício são revestidas com painéis ventilados de concreto reforçado com fibra de vidro (GFRC) para mitigar o ganho de calor em resposta ao clima. A Prestige University integra-se ao clima da sua localização, resultando em um edifício energeticamente eficiente que, além de abrigar diversas atividades, também se torna um amplo espaço público aberto com um térreo acessível e um telhado ajardinado.Foto: Vinay PanjwaniVerde na arquitetura educacionalA ampliação de espaços verdes na arquitetura escolar é cada vez mais urgente diante dos desafios climáticos e urbanos. A pesquisa “O acesso ao verde e a resiliência climática nas escolas das capitais brasileiras”, realizada pelo Instituto Alana em parceria com a Fiquem Sabendo, a partir de dados do MapBiomas, analisou 20.635 escolas públicas e particulares de educação infantil e fundamental nas capitais do Brasil e revelou um cenário preocupante. O estudo aponta que cerca de 370 mil alunos estudam em instituições localizadas em áreas de risco hidrogeológico e que, em uma a cada três capitais, pelo menos metade das escolas está em regiões com desvios de temperatura superiores a 3,5 °C em relação à média urbana, caracterizando verdadeiras ilhas de calor. A exposição prolongada a altas temperaturas pode causar impactos duradouros na saúde e no desenvolvimento de crianças e adolescentes, incluindo dificuldades de aprendizagem, pior qualidade do sono e efeitos negativos na saúde mental e no comportamento. Parte desse problema está relacionada à ausência de natureza: 78% das escolas mais quentes não possuem área verde no lote ou têm menos de 20% de cobertura vegetal, cenário ainda mais crítico na educação infantil, onde 43,5% das instituições não contam com espaços verdes. Os dados reforçam a importância de integrar jardins, pátios arborizados e outras soluções baseadas na natureza aos projetos escolares, criando ambientes mais saudáveis, confortáveis e resilientes às mudanças climáticas.Foto: Vinay PanjwaniFoto: Vinay PanjwaniFoto: Vinay PanjwaniFoto: Vinay PanjwaniFoto: Vinay PanjwaniFoto: Vinay PanjwaniFoto: Vinay PanjwaniFoto: Vinay PanjwaniFoto: Vinay PanjwaniFoto: Vinay PanjwaniFoto: Vinay PanjwaniFoto: Vinay PanjwaniThe post Telhado escalonado cria jardim de 9 mil m² em universidade appeared first on CicloVivo.