Genéricos do Ozempic chegam a US$ 14 na Índia após patente da Novo Nordisk expirar

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(Bloomberg) – Farmacêuticas indianas aproveitaram o fim da patente do medicamento campeão de vendas da Novo Nordisk para perda de peso e diabetes para lançar versões genéricas bem mais baratas em um país que tem a terceira maior população acima do peso do mundo.A Natco Pharma planeja produzir uma injeção de semaglutida — o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy — com um dos preços de entrada mais baixos: 1.290 rúpias (US$ 14, ou R$ 74) por mês. A caneta da empresa deve chegar ao mercado até abril, com custo mensal em torno de 4.500 rúpias, informou a companhia em comunicado.Para comparação, a caneta do Wegovy da Novo sai por cerca de 10.480 rúpias na Índia e aproximadamente US$ 199 nos EUA no modelo de pagamento particular. Os preços mensais de produtos à base de semaglutida de outras empresas, como Sun Pharmaceutical Industries, Dr. Reddy’s Laboratories e Glenmark Pharmaceuticals, variam de cerca de 1.300 a 8.000 rúpias.Leia também: Após queda de patente, o que falta para o Ozempic ficar mais barato no Brasil?Leia também: Quanto deve custar novas versões da semaglutida no Brasil com fim da patente do Ozempic?Embora o Canadá tenha sido o primeiro país a perder a proteção de patente da semaglutida, em janeiro, o órgão regulador de saúde canadense ainda não aprovou nenhum genérico, o que na prática torna a Índia o primeiro grande mercado a ver uma enxurrada de versões copiadas. A guerra de preços que se segue será acompanhada de perto, já que a farmacêutica dinamarquesa enfrenta o vencimento de patentes em mercados-chave como China, Brasil e Turquia.A Bloomberg News analisou comunicados corporativos e transcrições de teleconferências de resultados para identificar pelo menos 12 grandes farmacêuticas que planejam vender semaglutida genérica logo após o fim da patente. Mas a dimensão real da concorrência deve ser bem maior.Cerca de 42 fabricantes de medicamentos, incluindo empresas menores, devem lançar produtos sob mais de 50 marcas diferentes ainda este ano, segundo Sheetal Sapale, pesquisadora da firma de dados de mercado Pharmarack.‘Estudo de Caso’A Índia é “um importante estudo de caso para o futuro” da perda de exclusividade dessa molécula, escreveram analistas do Jefferies liderados por James Vane-Tempest em relatório de 12 de fevereiro. A corretora estima o mercado indiano de medicamentos para perda de peso em cerca de US$ 500 milhões, valor que “poderia subir para US$ 1 bilhão com a combinação certa de preço, adoção e incentivos governamentais”.A demanda por esses medicamentos também é alta porque a população de mais de 1,4 bilhão de habitantes da Índia enfrenta uma carga maior de diabetes e doenças cardiovasculares, em grande parte devido a estilos de vida urbanos cada vez mais sedentários. Dietas ricas em calorias, carregadas de óleo e gordura, resultaram em uma grande parcela da população acima do peso, atrás apenas dos EUA e da China.Os fabricantes de genéricos também estão testando diferentes formatos de aplicação, incluindo seringas, injetores, frascos e canetas reutilizáveis com dose ajustável, mostram documentos das empresas.A ideia é oferecer mais flexibilidade aos pacientes, reduzir o peso financeiro do tratamento e facilitar a adoção dessas terapias contra obesidade. Hoje, Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, e o Mounjaro, da Eli Lilly, são vendidos na Índia em canetas pré-preenchidas com quatro aplicações.Os formatos ajustados de aplicação também ajudam a construir fidelidade à marca. Se o paciente se acostuma com um determinado dispositivo, normalmente não tende a trocar, disse Sapale, da Pharmarack.“A reputação da empresa dentro dessa área terapêutica, assim como o sistema de aplicação, serão agora os grandes diferenciais”, já que a molécula de semaglutida é a mesma em todos os produtos, ela acrescentou.Programas para PacientesAs empresas indianas também estão lançando programas para impulsionar o uso do medicamento. O aplicativo de assistência Semakare, da Dr. Reddy’s, assim como centros metabólicos, darão vantagem competitiva à companhia em relação aos rivais, disse o diretor-presidente para Mercados de Marcas, M. V. Ramana, a jornalistas no sábado. Segundo ele, a empresa abrirá 65 clínicas de obesidade nos próximos meses.Os laboratórios também começaram a firmar alianças. A Zydus Lifesciences Ltd. anunciou nesta semana uma parceria de licenciamento com a Lupin e a Torrent Pharmaceuticals Ltd. Já a Eris Lifesciences Ltd. se associou à Natco Pharma para a comercialização do medicamento. A Dr. Reddy’s, por sua vez, mantém parceria com duas grandes empresas indianas, disse Ramana.Os fabricantes de genéricos também deverão mirar com mais força as cidades menores, onde as empresas inovadoras ainda não têm presença ampla, afirmou Sapale. “Vai haver muito barulho” no mercado à medida que as companhias disputarem participação, acrescentou.© 2026 Bloomberg L.P.The post Genéricos do Ozempic chegam a US$ 14 na Índia após patente da Novo Nordisk expirar appeared first on InfoMoney.