O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse neste sábado (21) estar “indignado com a passividade dos membros do Conselho de Segurança” da Organizações das Nações (ONU) por não serem capazes de acabar com as guerras.“O que estamos assistindo no mundo da falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz“, disse o presidente brasileiro. “São eles que estão fazendo as guerras! E quando é que vamos tomar atitudes para não permitir que países mais poderosos se achem donos dos países mais frágeis?”, questionou.A fala foi dada no durante o discurso no Fórum Celac-África neste sábado, em Bogotá. “Estou indignado com a passividade dos membros de segurança que não foram capazes de resolver o problema na Faixa de Gaza, no Iraque, na Líbia, na Ucrânia, no Irã. Ou seja, tudo se resolve por guerra? Quem tem mais canhão se acha dono do mundo?”O presidente brasileiro defendeu os países latino-americanos e africanos contra as grandes potências mundiais. Eu não poderia ter faltado a essa reunião. Cheguei aqui às 2h para essa reunião. É preciso que a gente levante a cabeça, não é possível alguém achar que é dono dos outros países”, disse Lula, que viajou para Colômbia no final da noite de sexta-feira (20). “O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático? Em que artigo da carta da ONU está dito que um presidente de um país pode invadir o outro? Nem da Bíblia”, falou o presidente.As declarações de Lula se referem a captura de Nicólas Maduro pelos Estados Unidos e as ameaças do presidente Donald Trump à Cuba, que já disse que vai ter a honra de tomar a ilha. “Acredito sinceramente que terei a honra de tomar o controle de Cuba, de alguma forma”, respondeu ele no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, após ser questionado sobre uma ação militar contra o governo em Havana. “Quero dizer libertá-la, ou tomá-la. Acho que posso fazer o que quiser, se quer que eu diga a verdade. É uma nação muito debilitada neste momento”, considerou. “Seria uma grande honra”, explicou.O mandatário brasileiro alertou para a exploração e minerais críticos no mundo e a importância de os países em desenvolvimento usarem suas reservas minerais para o seu desenvolvimento econômico, destacando que depois que as grandes potências levarem tudo o que os países em desenvolvimento tinham “agora eles querem ser donos dos minerais críticos e terras raras que temos”.“É a chance da Bolívia, da África, da América Latina não aceitar ser apenas exportador (bate na mesa) de minerais para eles. Quem quiser, se instale no País, para que a gente tenha a chance de desenvolver nossos países”, afirmou o Lula.O presidente disse, ainda, estar “extremamente preocupado com o que está acontecendo no mundo de hoje” e que esta é a “maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial”. Afirmou que “as guerras na Ucrânia, em Gaza, no Irã e em tantos outros conflitos nos afastam do caminho do desenvolvimento e geram efeitos econômicos, sociais e políticos no mundo todo” e “aumentam o preço da energia e dos alimentos”.Segundo o presidente brasileiro, a “União Africana é fonte de inspiração para a integração na nossa região e demonstra que é possível apostar na institucionalidade regional mesmo diante da adversidade de projetos políticos nacionais”.“Apesar de ter implementado diversas políticas públicas de igualdade racial, como as leis de cotas, o Brasil ainda está longe de pagar sua dívida com a áfrica por 350 anos de escravidão. Enfrentar unidos a herança colonial é o melhor tributo que podemos prestar à nossa história compartilhada”, afirmou Lula. Leia também Costa Rica fecha embaixada em Cuba e expulsa os diplomatas: 'Limpar o hemisfério de comunistas' Brasil se prepara para enviar ajuda humanitária a Cuba *Com informações do Estadão Conteúdo