O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez neste sábado (21), em Bogotá, um discurso marcado por críticas à política internacional dos Estados Unidos, defesa da cooperação entre América Latina e África e alertas sobre o cenário global de conflitos.A fala ocorreu durante o Fórum de Alto Nível CELAC-África, que reúne líderes das duas regiões em meio a um contexto de maior fragmentação geopolítica.Durante o discurso, Lula criticou diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que não há justificativa para invasões entre países.“Não há, nem na Carta da ONU nem na Bíblia, nada que diga que um presidente pode organizar a invasão de um país a outro”, disse.O presidente também fez um alerta sobre o aumento das tensões globais e afirmou que o mundo vive hoje o maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial.“Estou extremamente preocupado com o que está acontecendo no mundo de hoje”, afirmou. Leia Mais Com baixa adesão de líderes, Lula participa de cúpula da Celac na Colômbia Trump ameaça enviar agentes federais de imigração para aeroportos EUA insistem que Irã não se beneficiará com remoção de sanções de petróleo Lula defendeu ainda o fortalecimento da cooperação entre América Latina e África, destacando os pontos em comum entre as duas regiões, como a presença das maiores florestas tropicais do mundo — a Amazônia e a floresta do Congo — e desafios compartilhados nas áreas de desenvolvimento e combate à pobreza.O presidente também citou a existência de uma “dívida histórica” com o continente africano em função de mais de 350 anos de escravidão e afirmou que políticas como a lei de cotas no Brasil são importantes, mas insuficientes para reparar esse passado.Na área econômica, Lula destacou o potencial das regiões na produção de energia limpa e na exploração de minerais críticos, considerados estratégicos para a transição energética. Segundo ele, é necessário evitar práticas “neoextrativistas” e garantir que os países agreguem valor aos próprios recursos.O presidente também mencionou a existência de iniciativas de cooperação entre África e América Latina, incluindo projetos que envolvem o uso de inteligência artificial brasileira. Segundo ele, essas parcerias podem contribuir para reduzir desigualdades e ampliar o acesso à tecnologia.Lula defendeu ainda o uso da tecnologia em áreas como agricultura, educação e saúde, além da necessidade de ampliar a infraestrutura digital nos países em desenvolvimento.Durante o discurso, o presidente mencionou a aliança global contra a fome e a pobreza, lançada pelo Brasil no G20, que já conta com a adesão de mais de 100 países.Ao tratar de temas sociais, Lula também falou sobre a necessidade de regulação das redes sociais e citou o estatuto digital da criança e do adolescente aprovado no Brasil como uma iniciativa para ampliar a proteção no ambiente virtual.A fala reforça a estratégia do governo brasileiro de ampliar a atuação internacional e fortalecer a articulação entre países do chamado Sul Global, com foco na cooperação econômica, tecnológica e política entre as regiões.