O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste sábado, 21, os ataques dos Estados Unidos ao Irã e questionou a motivação do conflito, durante discurso em reunião de chefes da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da África.Lula fez uma comparação com a guerra do Iraque, justificada pela alegação, nunca comprovada, do desenvolvimento de “armas de destruição em massa” pelo então presidente Saddam Hussein.“E agora se invadiu o Irã a pretexto de que o Irã estava construindo bomba nuclear. Cadê as armas químicas do Saddam Hussein? Aonde elas estão? Quem achou?”, alfinetou.O presidente brasileiro também lembrou quando, em seu segundo mandato, ajudou a costurar um acordo com o então presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, para limitar o enriquecimento de urânio do país.“Fizemos um acordo, fizemos um acordo, esse acordo, quando foi publicado, ao invés dos países europeus e os Estados Unidos aceitarem o acordo, eles aumentaram o bloqueio ao Irã”, criticou.Lula ainda lamentou a passividade da ONU em meio ao conflito no Irã e em outras regiões do mundo e voltou a pedir uma renovação do Conselho de Segurança. “O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras”, afirmou o petista.“Em que parágrafo e em que artigo da Carta da ONU está dito que um presidente de um país pode invadir o outro? Em que documento do mundo está dito isso? Nem da Bíblia”, acrescentou.“Eu estou, como ser humano, como democrata e como presidente do Brasil, indignado com a passividade dos membros de segurança que não foram capazes de resolver o problema na Faixa de Gaza, não foram capazes de resolver o problema no Iraque, não foram capazes de resolver o problema na Líbia, não foram capazes de resolver o problema na Ucrânia, não foram capazes de resolver o problema no Irã”, disse o presidente brasileiro.Leia o discurso completo de Lula na Celac:Gostaria de agradecer ao presidente Gustavo Petro e à vice-presidenta Francia Márquez por organizar o primeiro Foro de Alto Nível CELAC-África.Não haveria data melhor para celebrar este encontro do que 21 de março, Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial.Em 2021 e 2025, a CARICOM organizou seus próprios encontros com a África.Esta iniciativa colombiana retoma o processo iniciado com as Cúpulas América do Sul – África, que entre 2006 e 2013 aproximou nossos continentes.A União Africana é fonte de inspiração para a integração na nossa região.Ela demonstra que é possível apostar na institucionalidade regional mesmo diante da diversidade de projetos políticos nacionais.O Brasil, a América Latina e o Caribe integram a 6ª região da União Africana.153 milhões de afrodescendentes vivem em nossos países.Salvador, onde sediamos, no ano passado, a Conferência Regional da Diáspora Africana nas Américas, é a cidade com a maior população negra fora do continente africano.Os debates que aconteceram aqui em Bogotá, nos últimos dias, acolheram as reparações históricas como prioridade, em linha com o entendimento da União Africana.Apesar de ter implementado diversas políticas públicas de igualdade racial, como as leis de cotas, o Brasil ainda está longe de pagar sua dívida com a África por 350 anos de escravidão.Enfrentar, unidos, a herança colonial é o melhor tributo que podemos prestar à nossa história compartilhada.Queridos amigos e amigas,Hoje também quero falar sobre o futuro.Existem fortes sinergias entre a Agenda 2063 da União Africana e as prioridades da CELAC.A próxima etapa dessa reaproximação aponta para a organização de uma Cúpula de líderes da CELAC e da África.Com vistas a preparar essa iniciativa, quero propor cinco eixos de ação que poderão constar dessa agenda futura:Em primeiro lugar, o combate à fome.340 milhões de pessoas passam fome na América Latina, no Caribe e na África.Essa é uma realidade inaceitável em um mundo que produz alimentos suficientes para todos.A América Latina e o Caribe têm demonstrado que é possível avançar com políticas públicas eficazes.A África reúne enorme potencial agrícola e pode se tornar um grande produtor mundial de alimentos.O Brasil está comprometido em contribuir para esse esforço.A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) retornou ao continente africano com o Escritório de Cooperação em Adis Abeba.No ano passado, realizamos, em Brasília, o II Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural.Desse mesmo espírito de solidariedade nasceu a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.Lançada no G20, a iniciativa já conta com a adesão de 103 países.A segunda vertente é o enfrentamento à mudança do clima e a preservação do meio ambiente.Egito e Brasil sediaram recentemente COPs do Clima. Em breve será a vez da Etiópia.Apesar de não sermos historicamente responsáveis pelo aquecimento global, somos os mais afetados por eventos climáticos extremos.Temos em comum a preocupação de combater processos de desertificação.Compartilhamos a responsabilidade de cuidar das duas maiores florestas tropicais do mundo: a Floresta Amazônica e a do Congo.Cooperamos em diversos foros para combater os crimes ambientais, que já são a terceira maior fonte de recursos para o crime organizado.Trabalhamos juntos para a operacionalização do Fundo Florestas Tropicais para Sempre.Essa iniciativa já mobilizou quase 7 bilhões de dólares.Não se trata de doações. Os lucros gerados pelo TFFF serão repartidos entre os países de florestas tropicais e os investidores.A ciência já provou que sem uma transição para economias de baixo carbono, não será possível evitar a crise climática.Por isso, a transição energética também deve ser um dos eixos de ação conjunta.Nosso enorme potencial para produção de energia limpa de fontes solar, eólica e hídrica ainda contrasta com o acesso precário à eletricidade em muitas partes de nossos continentes.A formação de um mercado internacional de biocombustíveis abre oportunidades de desenvolvimento local e viabiliza a descarbonização da economia.Nossos países também possuem importantes reservas de minerais críticos, que desempenham um papel estratégico na transição para economias de baixo carbono.A cooperação entre os países detentores desses recursos minerais será vital para conseguir agregar valor em nossos próprios territórios e evitar investidas neoextrativistas.Nossos continentes não podem ficar para trás no aproveitamento dos benefícios que a Inteligência Artificial pode gerar em matéria de agricultura, saúde, educação e segurança.Esse desafio deve ser mais uma vertente estratégica do relacionamento.Investimentos em infraestrutura digital serão chave para superar carências crônicas de nossas regiões em matéria de alta tecnologia.Temos uma juventude pujante, energia barata e os recursos estratégicos necessários.Mas para dar esse salto tecnológico compartilhamos a necessidade de fortalecer capacidades endógenas em governança de dados, infraestrutura digital e qualificação de recursos humanos.O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial contempla duas linhas de financiamento para cooperação com África e América Latina.São 20 milhões de dólares para financiamento de projetos conjuntos e 10 milhões para o uso de infraestruturas de IA brasileiras.Precisamos de um modelo de cooperação que alinhe governança digital e respeito aos direitos fundamentais, fortalecendo nossa soberania.A regulação do mundo virtual não é um mecanismo de controle. É antes de tudo um instrumento de inclusão e proteção das pessoas.Para enfrentar discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil e misoginia, o Brasil está atualizando sua legislação.Aprovamos recentemente o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente para manter nossas crianças protegidas também no mundo virtual.As trocas comerciais e os fluxos de investimento conferem lastro às relações políticas entre os países.Por isso, devem ser outro eixo estruturante do relacionamento.A África é um continente de grande dinamismo, impulsionado por uma população jovem e pela rápida urbanização.A Zona de Livre Comércio Continental Africana, que entrou em vigor em 2021, é a maior do mundo.Abrange 1,3 bilhão de pessoas e tem PIB combinado de 3,4 trilhões de dólares.O MERCOSUL já conta com um Acordo de Livre Comércio com o Egito e com um Acordo de Comércio Preferencial com a União Aduaneira da África Austral.É estratégico estender e aprofundar essas iniciativas.A construção de sinergias o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Africano de Desenvolvimento é imprescindível para ampliar o financiamento a projetos conjuntos.Senhoras e senhores,Nossos continentes congregam quase a metade dos países do mundo e um quarto da população mundial.Mas ainda somos penalizados por uma ordem desigual, estabelecida enquanto o colonialismo e o apartheid prevaleciam em muitas partes do mundo.Não faz sentido que a América Latina e a África não tenham representação adequada no Conselho de Segurança da ONU.As guerras na Ucrânia, em Gaza, no Irã e tantos outros conflitos nos afastam do caminho do desenvolvimento.Geram efeitos econômicos, sociais e políticos no mundo todo.Aumentam os preços da energia e dos alimentos.Precisamos manter o Atlântico Sul livre de disputas geopolíticas alheias.Esse é o objetivo da reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, que o Brasil organizará em 9 de abril.O Brasil, a América Latina e o Caribe caminham ao lado da África em diversas outras iniciativas multilaterais.Lutamos pela renovação, por mais dez anos, da Década Internacional dos Afrodescendentes (2025-2034), e pela elaboração de uma Declaração dos Direitos Humanos das Pessoas Afrodescendentes.O Brasil apoia a resolução do Grupo Africano na Assembleia Geral da ONU que declara o Tráfico de Africanos Escravizados como um dos mais graves crimes contra a humanidade.A reforma da Organização Mundial do Comércio, hoje presidida pela nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala [Ingozi Ôconjo Iuêala], é imprescindível e urgente.Sem atuação coesa do Sul Global, a próxima ministerial da OMC, no Cameroun [Ca-me-rrún], corre o risco de cristalizar um cenário de paralisia que joga contra o comércio baseado em regras multilateralmente estabelecidas.Meus amigos e minhas amigas,A ponte entre nossas regiões não é feita apenas de acordos e declarações.Ela é feita de pessoas, de uma diáspora que nos une.O geógrafo brasileiro Milton Santos nos ensinou que o território não é apenas chão, mas história viva.A América Latina, o Caribe e a África são um mesmo território existencial, marcado pela resistência e pela luta por dignidade.Eu não queria perder a oportunidade de dizer para vocês que eu estou extremamente preocupado do que está acontecendo no mundo de hoje.É importante que a gente não esqueça nunca que o mundo de hoje está vivendo a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial.É importante que a gente não perca de vista que, enquanto se gastou ano passado 2,7 trilhões de dólares em armas e guerras, nós ainda temos 630 milhões de pessoas passando fome.Ainda temos milhões de seres humanos sem energia elétrica.E ainda temos milhões de seres humanos sem ter acesso à educação e outros milhões e milhões de mulheres e crianças que são resultado dessas guerras fratricidas e que ficam abandonados sem documento, sem residência, sem ter sequer uma pátria onde morar.Por isso, nós temos insistido, cada vez mais, de que é preciso parar e refletir sobre o nosso comportamento.Nós não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa independência. Nós não podemos permitir que alguém possa se intrometer e ferir a integridade territorial de cada país.O que nós estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras.E quando é que a gente vai tomar uma atitude para não permitir que os países mais poderosos se achem donos dos países mais frágeis?Quando é que a ONU vai convocar uma reunião extraordinária para que a gente decida qual é o papel dos membros do Conselho de Segurança?Por que não se renova? Por que não se colocam mais países representando o Conselho de Segurança da ONU?Eu estou, como ser humano, como democrata e como presidente do Brasil, indignado com a passividade dos membros de segurança que não foram capazes de resolver o problema na Faixa de Gaza, não foram capazes de resolver o problema no Iraque, não foram capazes de resolver o problema na Líbia, não foram capazes de resolver o problema na Ucrânia, não foram capazes de resolver o problema no Irã.Ou seja, e tudo se resolve por guerra? Ou seja, quem tem mais canhão, quem tem mais navio, quem tem mais avião, quem tem mais dinheiro, se acha dono do mundo?Quando é que nós vamos dizer que isso não é normal? Quando é que nós vamos dizer que nós queremos voltar a ter uma relação civilizada entre as nações, que nós não vamos permitir o fim do multilateralismo e que a gente vai garantir que somente a paz é que pode fazer com que o mundo pobre possa se desenvolver?O que constrói uma guerra a não ser mortos e destruição? E quando é que nós vamos reagir?Eu queria dizer para vocês que, em 2010, em 2010, eu fui a Teerã, junto com o presidente da Turquia, para convencer o governo do Irã de que ele não poderia enriquecer o urânio para fazer armas nucleares.E fui dizer para a autoridade no Irã, ao Khamenei [Ali, ex-líder supremo do Irã] e ao Ahmadinejad [Mahmoud, ex-presidente do Irã], de que a gente aceitaria que eles enriquecessem o urânio na proporção que o Brasil enriquece o urânio: para fins pacíficos, para fins científicos.Fizemos um acordo, fizemos um acordo, esse acordo, quando foi publicado, ao invés dos países europeus e os Estados Unidos aceitarem o acordo, eles aumentaram o bloqueio ao Irã.E é muito engraçado, isso já foi publicado na imprensa, não é segredo para ninguém. Eu tinha recebido uma carta do companheiro Obama [Barack, ex-presidente dos Estados Unidos], dizendo que o senhor Ahmadinejad concordasse com aquele acordo, estava tudo certo.Pois nós fizemos da Ahmadinejad assinar o acordo tal qual estava a carta do Obama.Para minha surpresa, quando foi publicado o acordo, tanto a Europa quanto os Estados Unidos aumentaram o bloqueio.Depois de alguns anos, foram fazer um outro acordo pior do que aquele que a gente tinha feito.E agora se invadiu o Irã a pretexto de que o Irã estava construindo bomba nuclear. Cadê as armas químicas do Saddam Hussein? Aonde elas estão? Quem achou?Ou seja, nós não podemos viver mais num mundo de mentiras, em que as pessoas constroem inimigos constroem uma imagem negativa do inimigo para justificar a destruição?Que mundo que nós estamos?Eu ouvi o representante de Moçambique falar nos minerais críticos e nas terras raras.Aqui, nesse plenário, todo mundo tem experiência de que o seu país já foi saqueado em tudo que é ouro que tinha, em tudo que é prata que tinha, em tudo que é diamante que tinha, em tudo que é minério que tinha.Depois de levarem tudo que a gente tinha, agora, eles querem ser donos dos minerais críticos e das terras raras que nós temos.Eu estou vendo a Bolívia ali. Estou vendo o chanceler da Bolívia [Fernando Aramayo Carrasco].Ou seja, já levaram quase tudo da Bolívia. Agora que a Bolívia tem minerais críticos, é a chance da Bolívia, é a chance da África, é a chance da América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais para eles.Quem quiser que venha se instalar e produzir no país, para que a gente tenha a chance de desenvolver o nosso país, nós já fomos colonizados, fizemos luta pela independência, já conquistamos democracia, já perdemos democracia, agora estão querendo nos colonizar outra vez.Então, companheiros e companheiras,Eu não poderia ter faltado nessa reunião.Eu cheguei aqui duas horas da madrugada para fazer essa reunião. Por que é preciso que a gente levanta a cabeça? Não é possível alguém achar que é dono dos outros países.O que estão fazendo com o Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?Em que parágrafo e em que artigo da Carta da ONU está dito que um presidente de um país pode invadir o outro? Em que documento do mundo está dito isso? Nem da Bíblia.Não existe nada que permita que isso aconteça. É a utilização da força e do poder para nos colonizar outra vez?Ou seja, nós não teremos chances agora que descobrimos que temos terras raras, que descobrimos que temos minerais críticos?Agora que a gente pode aspirar e dar um salto de qualidade na produção de combustíveis alternativos?Ou seja, é preciso que a gente possa gritar alto e bom som para não permitir que isso aconteça em outros países, o que já aconteceu em Gaza recentemente.Eu não esqueço nunca, meus amigos e minhas amigas, que em dezembro de 2002, eu já tinha sido eleito presidente da República do Brasil, e o presidente Bush [George W, ex-presidente dos Estados Unidos] me convidou para ir a Washington para conversar com ele. Eu não tinha assumido a presidência ainda.Ele queria que eu fosse participar da Guerra do Iraque.Eu disse para ele, mas, presidente, eu não conheço Saddam Hussein. O Iraque fica a 14 mil quilômetros do meu país. Eu nunca fui no Iraque.Por que fazer guerra com ele? Por que destruir para reconstruir?Porque na época me ofereceram, se você participar da guerra, as empresas brasileiras vão ajudar a reconstruir o Iraque. Por que eu vou destruir para reconstruir? Se está construído, deixa que está construído.Eu disse para ele, presidente Bush, eu não participo da Guerra do Irã.A minha guerra é contra a fome de 54 milhões de brasileiros que não têm o que comer. E essa guerra eu vou vencer. E venci a guerra.Em 2014, acabamos com a fome no Brasil.Hoje, quando eu voltei a presidência da República, já tinha 33 milhões de pessoas passando fome outra vez. Em apenas dois anos e meio, nós outra vez tiramos 33 milhões de pessoas da fome.Essa guerra que nós temos que fazer para acabar com a fome na África, na América Latina, acabar com o analfabetismo, acabar com a falta de energia elétrica, é essa guerra que nós temos que fazer.Por isso, me perdoe, querida vice-presidenta [Francia Márquez, da Colômbia], eu não poderia deixar de falar isso. Porque nós estamos perdendo o direito de nos indignarmos.Estamos perdendo o direito. Vocês acham que eu quero guerra contra alguém?Eu não quero guerra com ninguém. Nem com a menor ilha do mundo, nem com a menor ilha do mundo, e muito menos com os Estados Unidos, com a China, com a Rússia.O que eu quero é argumentar. O que eu quero é construir narrativas.Porque somente com narrativas é que nós vamos dizer que vamos construir um mundo para que nossos filhos, nossos netos, possam acreditar que valeu a pena nós sermos o governo do país que nós nascemos.Muito obrigado, gente.Obrigado.O post Lula alfineta EUA sobre ataques ao Irã: ‘Cadê as armas químicas do Saddam Hussein, alguém achou?’ apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.