IA vai combater IA em nova corrida antifraude no mercado cripto, diz Veriff

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A explosão do uso de inteligência artificial por fraudadores abriu uma nova frente de pressão sobre exchanges, carteiras e plataformas de criptomoedas: a de usar IA não apenas para ganhar escala, mas para tentar burlar justamente os mecanismos de verificação de identidade. E esse é um dos principais focos do trabalho da Veriff, um unicórnio da Estônia especializado em identidade digital.Em entrevista ao Portal do Bitcoin durante o Merge São Paulo, Júlia Monteiro, executiva de contas sênior da Veriff, defendeu que o setor cripto entrou em uma fase em que métodos tradicionais de KYC (Conheça Seu Cliente) já não bastam e em que o combate à fraude precisa combinar biometria, análise de dispositivo, comportamento do usuário e monitoramento constante de novas táticas. Como ela resume, “inteligência artificial combate inteligência artificial”.Relatório da Sumsub publicado no fim de 2025 aponta que os ataques de fraude mais sofisticados cresceram 180% entre 2024 e 2025, enquanto o uso de falsificações assistidas por IA começou a aparecer com mais força. No relatório, o setor de cripto aparece entre os mais afetados por fraudes de identidade, e a própria empresa diz que a verificação está migrando de um cheque único para um monitoramento contínuo, combinando telemetria de dispositivo, contexto e comportamento.É nesse cenário que a Veriff tenta se posicionar. Fundada na Estônia, a empresa atua com verificação de identidade, biometria, autenticação e prevenção a fraudes para setores como serviços financeiros, mobilidade, aviação e governo. A companhia opera em mais de 230 países e territórios, cobre mais de 13,5 mil documentos governamentais e usa arquitetura baseada em IA para reduzir fraude, risco de compliance e fricção no onboarding.Leia também: Stablecoins ganham espaço no crime, mas também facilitam bloqueio de carteiras, diz Ministério da JustiçaNo mercado cripto, Monteiro diz que a Veriff entrou cedo, com clientes como a Blockchain.com, e que a demanda do setor ajudou a moldar parte da tecnologia da companhia. Segundo ela, um dos diferenciais é cruzar sinais que vão além do documento e da selfie, como repetição de dispositivo entre usuários, padrões suspeitos de comportamento e alertas de que determinada face ou aparelho já apareceu em outras wallets ou plataformas.A executiva afirma que isso é especialmente importante em cripto porque, muitas vezes, o problema começa antes da transação em blockchain — no onboarding, na criação da conta ou na montagem da identidade falsa.Fraude em cripto começa antes da walletMonteiro sustenta que o crime financeiro “acontece antes de chegar na cripto” e que os ativos digitais acabam funcionando muitas vezes como trilho para circular ou tentar reintroduzir recursos no sistema financeiro.Por isso, na visão dela, o setor de ativos virtuais deve enfrentar os mesmos desafios de fraude que os bancos tradicionais, com o agravante de estar entrando agora em uma fase de maior cobrança regulatória. Ela diz apoiar esse avanço regulatório justamente porque ele força o ecossistema a compartilhar protocolos, informação e aprendizado diante de um adversário que já opera de forma coordenada entre países.Esse pano de fundo conversa com a agenda internacional. A FATF (Grupo de Ação Financeira Internacional) afirma que a implementação global das regras para ativos virtuais ainda está atrasada: 75% das jurisdições seguem apenas parcialmente compatíveis ou não compatíveis com os padrões do órgão, e a adoção da Travel Rule continua lenta.O grupo também destaca que stablecoins, carteiras não custodiadas e estruturas mais descentralizadas seguem exigindo monitoramento adicional, ao mesmo tempo em que fraudes e outros usos ilícitos continuam sendo preocupação relevante.Na leitura da executiva, isso tende a elevar a exigência sobre as plataformas cripto. Ela afirma que, com mais wallets e PSAVs (Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais) tendo de passar por controles formais, haverá pressão não só sobre o onboarding inicial, mas sobre toda a jornada do usuário. “Só o token não vai ser suficiente”, diz, ao defender verificações recorrentes e uso de sinais complementares para detectar se um comportamento faz sentido para aquele cliente.Leia também: “VASP as a Service”: Como as OTCs cripto sobreviverão às novas regras do BCMonteiro também chama atenção para a velocidade dessa disputa. Segundo ela, uma fraude nova que aparece na Índia pode chegar rapidamente ao Brasil ou à Argentina, o que exige monitoramento quase em tempo real de comunidades, fóruns e tendências tecnológicas. Por isso, afirma que a Veriff mantém “olheiros” e ferramentas dedicadas a acompanhar como os fraudadores estão evoluindo, numa tentativa de ser mais proativa do que reativa.Privacidade, biometria e o limite entre segurança e excesso de dadosOutro ponto é a tensão entre verificação de identidade e privacidade, tema especialmente sensível no universo cripto. Monteiro argumenta que existe uma percepção equivocada de que KYC robusto e proteção de dados andam em direções opostas. Segundo ela, é possível fazer verificação de forma segura sem transformar a biometria e os documentos em uma base fria reutilizada indiscriminadamente.A executiva afirma que, na arquitetura da Veriff, imagens, documentos e sinais de dispositivo são processados e transformados em hash, e que o dado pertence à wallet ou exchange cliente, não à fornecedora da tecnologia.Ela também critica práticas do mercado que, na avaliação da empresa, exploram zonas cinzentas de privacidade e uso de dados sensíveis. O argumento é que a segurança precisa incluir não apenas bloquear fraudadores, mas também selecionar melhor quem entra no ecossistema como cliente corporativo, para evitar que ferramentas antifraude acabem sendo usadas por empresas de reputação duvidosa ou que alimentem concorrência desleal.No fim, a mensagem central da Veriff para o setor cripto é que antifraude deixou de ser um item de compliance para virar infraestrutura de crescimento. Monteiro diz que onboarding malfeito gera custo regulatório, investigação, perda financeira e distorção de base de usuários, afetando inclusive produto, CRM e estratégia comercial. “KYC, onboarding, não é custo. Estratégia de crescimento sustentável”, resume. Em um mercado que vende autonomia, velocidade e escala, a tese da empresa é que nada disso será sustentável sem uma camada de confiança cada vez mais sofisticada — e cada vez mais apoiada em IA para conter a IA.Liquidez sem vender as suas criptos: se você investe pensando no longo prazo, sabe que desmontar posição tem custo. Com o CriptoCrédito do MB, suas criptos viram garantia para um empréstimo liberado de forma rápida. Dinheiro em até 5 minutos, sem burocracia, direto no app! Conheça agora!O post IA vai combater IA em nova corrida antifraude no mercado cripto, diz Veriff apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.