O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano nesta quarta-feira (18). Essa foi a primeira flexibilização dos juros e, mais uma vez, a decisão foi unânime. O corte também veio em linha com o esperado pelo mercado. Na última atualização, com data de referência da segunda-feira (16), o contrato de Opções de Copom da B3 apontava a chance de 64% de o Banco Central (BC) reduzir os juros em 0,25 p.p.“O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, diz o comunicado.“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das utuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, acrescentaram os diretores.A novidade do comunicado foi a visão do colegiado sobre o conflito no Irã, iniciado em 28 de fevereiro com ataques coordenados pelos Estados Unidos e Israel contra o país persa.ESPECIAL COPOM: Acompanhe a decisão de juros no Brasil e nos EUASelic a 14,75%: Entenda a decisão do CopomInternacionalNo comunicado, o Copom reforçou o ambiente externo tornou-se mais incerto em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio.“Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities“, diz o comunicado.Os diretores também consideraram os impactos dos conflitos no Oriente Médio “de forma prospectiva”, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil.Economia brasileiraEm relação ao cenário doméstico, os diretores do Banco Central ressaltaram que o conjunto dos indicadores de atividade econômica segue apresentando, conforme esperado, trajetória de trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência.O BC também reconheceu que a inflação continua a apresentar algum arrefecimento, mas mantém-se acima da meta do BC, e que as expectativas do mercado permanecem desancoradas.“As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,1% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,3 % no cenário de referência.”O comunicado acrescenta que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio.Entre os riscos de alta destacam-se:desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado;maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; econjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.Já entre os riscos de baixa para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, os diretores do Copom consideram:uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação;uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; euma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.Vem mais cortes na Selic?O Copom disse, no comunicado, que julgou apropriado dar início ao ciclo de cortes na Selic, considerando que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo dessa calibração. ” Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, diz o comunicado.O colegiado, porém, destacou que os próximos passou serão feitos “à luz de novas informações”, de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.”Decisão unânimeSegundo o comunicado, os dirigentes do Banco Central entraram em consenso e a decisão foi novamente unânime.Gabriel Galípolo (presidente), Ailton de Aquino, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton Schneider, Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,75% ao ano.Veja o comunicado do Copom