Regras do BC para cripto vão consolidar gigantes e fechar pequenos, dizem executivos

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A nova regulação das criptomoedas no Brasil pode acelerar a profissionalização do setor, mas também abrir espaço para uma concentração ainda maior de mercado nas mãos de grandes empresas. Esse foi um dos alertas centrais de um painel no Merge São Paulo, em que representantes do Banco Central e empresas defenderam a importância das novas regras para dar legitimidade ao segmento, mas reconheceram que o custo de adaptação pode pesar justamente sobre startups, empresas médias e novos entrantes.A leitura dos participantes é que, sem ajustes de proporcionalidade, o novo marco regulatório pode até organizar o mercado, mas ao preço de reduzir a diversidade de players.A crítica mais direta veio de Fabio Cendão, sócio fundador da FCM Law, que avaliou que o desenho atual da regulação impõe exigências elevadas demais para uma parte relevante do ecossistema. Segundo ele, a combinação entre capital mínimo, custos de compliance e o prazo longo para autorização tende a inviabilizar empresas menores.“Empresas médias e em estágio inicial que eu acho que realmente vão morrer”, afirmou. Na visão de Cendão, o risco é que o setor repita um movimento já visto em outros segmentos financeiros, em que as barreiras regulatórias acabam favorecendo os grupos mais capitalizados e dificulta a sobrevivência de quem ainda está em fase de crescimento.Leia também: Regras do BC para criptomoedas começam a valer; veja o que mudaIsso não significa, porém, que os participantes tenham tratado a regulação como um erro. Para Fabio Araujo, consultor do Banco Central, um dos principais ganhos do novo marco é justamente trazer clareza conceitual para um setor ainda cercado por dúvidas. “Trazer a clareza sobre o que é um ativo virtual, eu acho que é uma coisa muito importante”, disse.Segundo ele, parte do desafio está em enquadrar corretamente inovações que não cabem nas estruturas tradicionais. “A gente tem sempre aquela questão, a gente não vai querer colocar uma coisa nova numa caixa antiga. A gente tem que criar a caixa nova e entender por que essa caixa nova existe.”Daniel Mangabeira, vice-presidente de Estratégia e Políticas para Brasil e América Latina na Circle, também reforçou que a regulação ajuda a trazer legitimidade, credibilidade e institucionalização para o setor, ainda que alguns pontos específicos ligados a ativos virtuais permaneçam em aberto. A avaliação geral do painel foi que o novo marco ajuda a reduzir a zona cinzenta que marcou boa parte da atuação do mercado nos últimos anos, mas ainda deixa dúvidas sobre a calibragem ideal das exigências e sobre como preservar espaço para inovação.Ganhos de eficiência, mas faltam ajustesEmbora tenha reconhecido o peso do debate, Bruno Samora, chief product officer da Matera, afirmou que a adaptação às novas exigências não deve ser tratada como algo impossível para as empresas do setor.Segundo ele, muitas dessas obrigações já fazem parte da rotina de instituições que operam mais próximas do sistema financeiro tradicional. “Não são um bicho de sete cabeças”, disse. Na avaliação de Samora, uma parte da resistência observada hoje decorre do receio natural diante de novas exigências, mais do que de uma inviabilidade operacional efetiva.Ao mesmo tempo, ele defendeu que a regulação pode abrir oportunidades concretas para o Brasil em áreas como pagamentos e transações internacionais. “A gente pode ver uma vantagem competitiva, talvez para empresas brasileiras, que na prática vão ter um PIX internacional, 24 por 7, com altíssima disponibilidade”, afirmou.Liquidez sem vender as suas criptos: se você investe pensando no longo prazo, sabe que desmontar posição tem custo. Com o CriptoCrédito do MB, suas criptos viram garantia para um empréstimo liberado de forma rápida. Dinheiro em até 5 minutos, sem burocracia, direto no app! Conheça agora!O post Regras do BC para cripto vão consolidar gigantes e fechar pequenos, dizem executivos apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.