Deputada da Alesp é acusada de fazer ‘black face’ durante sessão

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A deputada da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Fabiana Bolsonaro (PL), pintou a cara e os braços para imitar uma pessoa negra, nesta quarta-feira (18).A deputada de 30 anos, que se diz de extrema-direita, cristã, anti-ideologia e conservadora, afirmou que estava fazendo um “experimento social” para criticar a deputada federal Erika Hilton por ter sido eleita presidente da Comissão dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.Segundo Fabiana, ele teve todos os privilégios de uma pessoa branca, e não poderia sentir as dores de uma pessoa negra, mesmo se “travestindo de negra”, e comparou com Erika Hilton, que jamais saberia o que sofre uma mulher, na opinião dela. “Não adianta se maquiar de mulher, não vai saber o que uma mulher passa”, disse.“Se eu sou branca, e mesmo me pintando de negra, eu não posso cuidar das pessoas que sofrem racismo por não saber na essência o que elas passaram, é exatamente isso que um trans não pode fazer comigo”, argumentou.“A mulher do ano não pode ser transexual”, disse. Também afirmou que não queria que uma mulher tire seu lugar. “Como a gente vai cuidar de endometriose, do parto, da amamentação, da menopausa, se a pessoa não tem lugar de fala?”, questionou.Ela chegou a discutir com a deputada Mônica Seixas (PSOL), que a acusou de racismo e da prática de “blackface”, além de pedir que a sessão fosse suspensa, porque Fabiana estaria cometendo um crime. Ela publicou nas redes sociais que foi à delegacia da Alesp exigir a prisão em flagrante da deputada.    Apesar do nome escolhido para exercer o cargo, Fabiana não é parente do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).O que é “blackface”A prática pode ser interpretada como “blackface”, um método que nasceu nos Estados Unidos no século XIX, para que pessoas brancas representassem negros, principalmente em espetáculos teatrais, pintando o corpo para representar pessoas negras de forma humorística, exagerada e reforçando estereótipos, considerado extremamente racista.Na época, pessoas negras eram impedidas de subir aos palcos. A prática ajudou a justificar a escravidão e, posteriormente, a segregação racial e a negação de direitos civis, reduzindo pessoas negras a caricaturas risíveis.O ato é considerado uma agressão porque zomba de características físicas e perpetua uma história de opressão e violência. Não é lido como uma simples maquiagem, mas como um símbolo de um racismo estrutural que tentou apagar a humanidade das pessoas negras. Leia também PL oficializa apoio a Moro ao governo do Paraná Mendonça prorroga inquérito do Caso Master por mais 60 dias Ministério da Fazenda sugere que União arque com metade do prejuízo de isenção do ICMS