O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) tornou réu o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto nesta quarta-feira (18). Mais cedo, o agente foi preso acusado de ter matado a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos.Segundo informou o Ministério Público de São Paulo (MPSP), as promotoras Ingrid Maria Bertolino Braido e Daniela Romanelli da Silva denunciaram o tenente-coronel por feminicídio e fraude processual.A investigação da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCSP) identificou sangue da PM na toalha e na bermuda de Geraldo Neto. A apuração também constatou que o corpo da agente foi mexido pela forma como o sangue escorreu.Em 18 de fevereiro, Gisele Santana foi encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento do casal, localizado no Brás, na região central de São Paulo. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.Inicialmente, Geraldo Neto afirmou que a esposa tirou a própria vida depois de uma discussão na qual ele propôs separação. A polícia descartou a hipótese. Em 10 de março, a Justiça de São Paulo determinou que o caso fosse investigado como feminicídio.A decisão se deu depois de o laudo do Instituto Médico Legal (IML) mostrar lesões no pescoço da PM. A informação sobre o resultado da perícia foi comunicada pelo advogado da família de Gisele Santana, José Miguel da Silva Junior.“No meu entendimento, com os outros elementos de prova, [as marcas] corroboram para o feminicídio. Esta marca é um fator preponderante, é uma equimose de dedos, como [se tivesse segurado] a pessoa com a mão”, disse o advogado.Uma reportagem do “Fantástico”, da TV Globo, mostrou ainda que Gisele Santana pediu ajuda a familiares por meio de mensagens antes de morrer. Parentes também declararam que a PM mudou de comportamento depois do casamento com Geraldo Neto, em 2024. Segundo os relatos, ela teria se afastado e passou a viver sob restrições impostas pelo esposo, incluindo proibições relacionadas ao uso de roupas, maquiagem e contato com outras pessoas.Depois da morte de Gisele Santana, Geraldo Neto pediu afastamento da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMSP). Na terça-feira (17), a Corregedoria da corporação pediu a prisão do tenente-coronel à Justiça. Leia também Caso Gisele: veja cronologia até a prisão do tenente-coronel São Paulo registra recorde de feminicídios em janeiro de 2026 Relacionamento abusivo: saiba como identificar os sinais e se proteger