O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil comunicou, na noite desta quarta-feira, 18, sua decisão de realizar corte de 0,25 ponto percentual (p.p.) na taxa básica de juros. O ajuste na Selic, que agora fica em 14,75% ao ano, pode causar menos impacto nos mercados do que os desdobramentos do conflito entre EUA, Israel e Irã, e que envolvem já outros países do Oriente Médio, segundo especialistas.A possível escalada do conflito também foi central no comunicado. Para economistas e analistas de mercado ouvidos pelo InfoMoney, a decisão poderia ter apresentado corte de maior magnitude pelo contexto que o Copom já precificava em comunicações anteriores, não fosse a guerra atualmente em curso.Leia tambémFederal Reserve mantém juros e projeta apenas um corte no anoDecisão foi em linha com a expectativa do mercado, contando com avaliações sobre riscos econômicos decorrentes da guerra no Oriente Médio“O comunicado trouxe um tom de cautela em relação as perspectivas à frente e não ofereceu sinalização direta sobre os próximos passos, adotando uma postura data-dependent em função dos conflitos no Oriente Médio e seus respectivas desdobramentos. O Comitê destacou que os riscos inflacionários “se intensificaram” com o conflito”, afirma o economista da MAG Investimentos, Rafael Rondinelli.Carlos Lopes, economista do Banco BV, acredita que, mesmo com a cautela que já vinha desde o comentário anterior, o contexto permitia corte de 0,50 ponto percentual. A alteração do cenário se deu pelo conflito entre EUA e Irã. “O corte foi justificado principalmente pelo conflito no Oriente Médio”, afirma. Para as próximas reuniões, os cortes devem seguir em 0,25 p.p. se acontecerem, pelo alto nível de incerteza observado ainda pelo conflito, segundo o economista. “Há um espaço grande para melhora de câmbio e Bolsa se houver melhora em relação ao conflito”, afirma Lopes. A visão do economista é que a decisão do Copom não altera a percepção do conflito, portanto pode não ter força suficiente para alterar tendências que já existiam para o Ibovespa e o dólar. Leia tambémSelic caiu: o que muda nos investimentos em renda fixa, ações, FIIs e fundos?Especialistas apontam oportunidades e pontos de atenção em todas as classes de ativosJuro real do Brasil é o 2° maior do mundo pela oitava vez seguida com Selic em 14,75%Taxa chegou a 9,51% considerando a Selic e a inflação; ranking leva em conta as 40 maiores economias do mundo e é liderado pela Turquia. Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, há possibilidade de que os mercados reajam, sim, às decisões de juros desta Super Quarta. Mas uma reação de bolsas em queda poderia acontecer muito mais pelo tom mais duro apresentado pelo Federal Open Market Comittee (FOMC), do que pelo viés mais conservador observado no comunicado do Copom. Mais cedo nesta quarta-feira, o FOMC detalhou sua decisão de manutenção da taxa de juros no intervalo de 3,50% a 3,75% com poucas alterações no comunicado. O tom de Jerome Powell, chairman do Fed, foi mais impactante para o mercado ao destacar a vigilância que é realizada sobre o conflito no Oriente Médio e o potencial de aumento de inflação a partir dos desdobramentos.Para Raphael Vieira, co-head de Investimentos da Arton Advisors, o cenário mais favorável apresentado para ativos domésticos unido à ausência de grande efeito surpresa limitaria movimentos mais expressivos do mercado no curto prazo. A reação dos mercados, em sua visão, tende a ser mais moderada. “O início do ciclo de cortes é positivo na margem. A curva de juros pode apresentar leve fechamento, principalmente nos trechos mais curtos, enquanto a bolsa tende a manter um viés construtivo, beneficiando setores mais sensíveis a juros”, afirma. Por outro lado, o câmbio pode seguir mais pressionado, em sua visão, o que poderia refletir tanto a redução do diferencial de juros quanto o aumento da incerteza externa.The post Copom? Mercado deve seguir de olho em conflito no Oriente Médio, para além de juros appeared first on InfoMoney.