Dia da Mulher: bem-estar sexual é pilar essencial da saúde feminina

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É comum que o sexo e o bem-estar sexual das mulheres sejam tratados como tabu pela sociedade. Ainda que questões ligadas ao universo feminino tenham ganhado mais espaço, o debate sobre essa discussão em específico segue enfrentando dificuldades para ser encarado.No Dia Internacional das Mulheres, que ocorre neste domingo (8), assuntos relacionados à comunidade feminina ganham destaque. Pensando nisso, a CNN Brasil analisou o impacto que o bem-estar sexual tem na saúde de mulheres ao redor do mundo. Leia Mais Dia Internacional da Mulher: veja cinco sinais de atenção à saúde feminina Cientistas mexicanas adaptam autoteste de Covid-19 para detectar HPV Violência contra a mulher: Brasil pede inclusão de CID de feminicídio à OMS “Existe uma definição clássica da Organização Mundial de Saúde (OMS) que define a saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade. Usando esse contexto como base, vemos que o bem-estar sexual é uma dimensão essencial da saúde integral”, começa Mariana Granado, ginecologista do Hospital M’Boi Mirim, gerido pelo Einstein Hospital Israelita, em entrevista à reportagem.Para além de uma questão ligada à saúde física, a sexualidade faz parte do funcionamento global do corpo e da mente, se relacionando à autoestima, aos relacionamentos e à percepção de autonomia pessoal.“O silêncio aumenta a vulnerabilidade”: sexualidade feminina como tabuEmbora as redes sociais e a ascensão de grupos de apoio a mulheres popularizem cada vez mais o assunto, o sexo ainda é encarado como tópico impróprio de conversas. A falta de conversas sobre o tema continua causando confusão e aumentando a vulnerabilidade do público feminino.“Quando algo é um tabu, eu não falo sobre aquilo, eu tenho receio de falar sobre aquilo, tenho medo do que pensem se eu fizer alguma pergunta sobre. Se não falamos, não nos comunicamos muitas vezes com o próprio parceiro, e é impossível ter uma vida mentalmente saudável. O silêncio aumenta a vulnerabilidade e, consequentemente, interfere diretamente no bem-estar social”, declara Granado.A omissão de informações sobre, até mesmo em consultas médicas, continua sendo rotineira e causa principal no atraso do relato de dores e desconfortos, falta de diagnósticos precisos e, em casos mais graves, complicações no estado de saúde de pacientes.“Muitas mulheres não recebem informação suficiente e acabam entendendo que situações abusivas, ou nas quais elas não conseguem alcançar o próprio prazer, são causadas por elas mesmas. Então, quando a gente coloca a mulher nesse ambiente, ela, muitas vezes, inicia a vida sexual com dificuldade e passa o tempo todo naturalizando situações que não são normais”, concorda Larissa Cassiano, obstetra e ginecologista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes.Mariana ainda reforça outro desdobramento importante: a dificuldade de falar sobre situações sexuais não faz distinção de classe social. “Vemos muito na prática diária mulheres de todas as classes sociais, que tiveram contextos de criação e socioculturais muito diferentes, terem as mesmas questões.”Como contornar o tabu social?As especialistas explicam que não há uma receita mágica para resolver a questão, mas há caminhos para contorná-la e melhorar as relações pessoais.“Acho que essa é uma das perguntas de 1 milhão de dólares. Na minha opinião, a comunicação e o conhecimento são a chave, por meio da busca de acompanhamento profissional, quando necessário, e promoção de um diálogo aberto e livre de julgamento. É essencial também cuidar do bem-estar emocional. Precisamos dormir bem, manejar nosso estresse, fazer atividade física, ter apoio psicológico quando indicado, nos alimentar bem… porque não existe bem-estar segmentado“, aconselha Granado.Larissa completa explicando que mesmo durante o tratamento de condições mentais, é importante levar em consideração como a pessoa se sente em relação à sexualidade.“Quando temos uma pessoa com alguma questão mental, muitas vezes vai ter um reflexo de algumas medicações que diminuem o desejo sexual ou que afetam a libido. Existe uma interligação grande entre essas duas questões e é muito importante que façamos uma união dos tratamentos, para que o bem-estar em uma área não impacte negativamente em outra”, finaliza a ginecologista.AO VIVO: CNN SINAIS VITAIS - DR. KALIL ENTREVISTA: Saúde da Mulher | 11/10/2025Dor das mulheres é levada menos a sério em consultas, aponta estudo