Trump autoriza Venezuela a vender fertilizantes, por causa da guerra

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O governo de Donald Trump autorizou a Venezuela a vender fertilizantes e outros produtos petroquímicos para empresas dos Estados Unidos, flexibilizando ainda mais as sanções justamente no momento em que a guerra com o Irã aperta a oferta global de nutrientes essenciais para as lavouras.A nova medida, divulgada nesta sexta-feira em documentos do Departamento do Tesouro, amplia um esforço dos EUA para reintegrar gradualmente a Venezuela ao mercado global de energia. A Casa Branca busca estimular a economia do país sul-americano após as forças americanas capturarem o presidente Nicolás Maduro em janeiro.Leia tambémAutoridade da Casa Branca: para Trump, acordo EUA-Cuba poderia ser feito facilmenteO presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse mais cedo que seu governo havia iniciado ⁠conversações ‌com WashingtonTrump afirma que Putin pode estar ajudando um pouco o IrãTrump afirma que Putin pode estar ajudando um pouco o IrãA decisão ocorre enquanto agricultores americanos correm para garantir fertilizantes durante o pico da temporada de plantio da primavera, especialmente amônia e ureia, produtos que a Venezuela já exportou em grande quantidade. A escalada do conflito no Oriente Médio está interrompendo fluxos que normalmente passam pelo Estreito de Ormuz.Os preços da ureia em Nova Orleans — amplamente aplicada em plantações de milho nos EUA — subiram 28% desde o início da guerra contra o Irã, até sexta-feira, segundo a Bloomberg Green Markets. Os Estados Unidos importam mais de um terço da ureia do Oriente Médio, de acordo com o The Fertilizer Institute.Ao autorizar a venda de fertilizantes venezuelanos para empresas americanas, o governo Trump envia um sinal de oferta a um setor que influencia diretamente os preços dos alimentos, em um momento de pressão inflacionária causada pelo salto do petróleo provocado pela guerra. A licença ainda exige que as empresas solicitem autorização separada ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), ligado ao Tesouro.Além da medida sobre fertilizantes, o Departamento do Tesouro também emitiu uma licença permitindo trabalhos na rede elétrica da Venezuela — passo considerado crucial para revitalizar o setor de petróleo e outras indústrias, além de melhorar as condições de vida da população, que enfrenta apagões frequentes.O Tesouro implementou a medida ao ampliar a definição de petróleo de origem venezuelana em uma licença já existente. Assim como ocorre com as vendas de petróleo venezuelano sob controle dos EUA, compradores americanos terão de depositar os pagamentos em uma conta offshore bloqueada, para posterior repasse ao banco central da Venezuela.As abundantes reservas de gás do país já sustentaram uma próspera indústria petroquímica liderada pela estatal Pequiven, no complexo de Jose, além de outras duas unidades em Morón e El Tablazo. Os Estados Unidos eram um dos principais mercados para essa produção.O setor petroquímico venezuelano, porém, sofreu anos de negligência e má gestão, assim como a indústria de petróleo. A Pequiven ainda exporta pequenas quantidades de amônia e ureia — baseadas em nitrogênio — para Brasil e Colômbia, mas com grandes descontos e por canais pouco transparentes.“Vai ser preciso algum investimento e algum tempo para que essas instalações voltem ao que eram antes”, disse Josh Linville, vice-presidente para fertilizantes da corretora StoneX Group. Ele acrescentou que não vê o país se tornando um grande exportador para os EUA no curto prazo.O setor petrolífero venezuelano também não tem infraestrutura suficiente para aumentar rapidamente os fluxos, afirmou Jeremy Paner, sócio do escritório internacional de advocacia Hughes Hubbard & Reed, com sede em Washington.Ao tentar reativar a indústria de fertilizantes da Venezuela, o governo Trump pode buscar redirecionar a oferta principalmente para o mercado americano, compensando parcialmente as interrupções causadas pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã. A medida também reduziria a dependência dos EUA de fertilizantes russos, que atualmente estão isentos de tarifas e sanções.A Venezuela exportou quase 400 mil toneladas métricas de ureia para o Brasil em 2025, segundo dados da ONU Comtrade. Volumes menores também foram enviados para Colômbia e Chile nos últimos anos.Esses números, no entanto, são pequenos em comparação com a capacidade anual nominal do país, de 2,7 milhões de toneladas de amônia e 3,3 milhões de toneladas de ureia, segundo dados da Pequiven. A maior parte dessa capacidade está concentrada no complexo de Jose, conhecido como Fertinitro.A Pequiven atualmente produz e exporta metanol na joint venture Metanol de Oriente, em parceria com a Mitsubishi e a Mitsubishi Gas, e já foi uma produtora relevante de outros petroquímicos, como etileno e propileno.Fertilizantes e outros produtos petroquímicos nunca foram alvo direto das sanções dos EUA, mas acabaram prejudicados indiretamente pelo esforço mais amplo de Washington para isolar a Venezuela.The post Trump autoriza Venezuela a vender fertilizantes, por causa da guerra appeared first on InfoMoney.