Defesa de Angra 3 ganha apoio de Esther Duek no governo

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A discussão sobre a retomada de Angra 3 ganhou um novo elemento nos bastidores do governo. Durante a última reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Duek, passou a defender a conclusão do empreendimento, segundo fontes ouvidas pela CNN sob condição de anonimato.A posição, até então inédita fora do núcleo energético, surge em meio a uma tentativa do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para recolocar o tema na pauta do conselho. O ministro elevou o tom ao ler uma espécie de manifesto interno em defesa da central nuclear.De acordo com relatos de fontes, Silveira argumentou que não é razoável “enterrar” cerca de R$ 20 bilhões já investidos no projeto e sinalizou a importância de levar novamente o assunto ao CNPE, antecipando seu voto favorável à retomada.O movimento ocorre após meses de paralisação da discussão. A deliberação sobre Angra 3 está travada desde o ano passado, quando o ministro da Casa Civil, Rui Costa, pediu vistas do processo no CNPE. Desde então, o tema não voltou à pauta e segue sem previsão de análise.A entrada de Esther Duek no debate é vista por interlocutores como um possível indicativo de rearranjo interno no governo, ainda que incipiente. Até agora, a defesa explícita do projeto estava concentrada no Ministério de Minas e Energia, enquanto outras pastas mantinham distância ou reservas.Ainda assim, o cenário está longe de um consenso. A posição do Ministério da Fazenda continua sendo um dos principais pontos de incerteza. A pasta, historicamente mais crítica à retomada por preocupações fiscais e tarifárias, não formalizou mudança de entendimento. Nos bastidores, porém, há relatos de uma postura menos rígida, embora sem adesão clara ao projeto.Outro fator que passou a influenciar a discussão é a transferência da participação da Axia (antiga Eletrobras) na Eletronuclear para a Âmbar, braço de energia do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.Enquanto a decisão não avança, o custo da indefinição continua a crescer. Segundo o TCU (Tribunal de Contas da União), a paralisação de Angra 3 já gerou cerca de R$ 2 bilhões em despesas financeiras e custos de manutenção apenas nos últimos dois anos.Com cerca de 65% das obras concluídas, Angra 3 segue como um dos projetos mais sensíveis da política energética brasileira. A combinação entre a ofensiva de Silveira e o apoio identificado em outras áreas do governo pode pressionar pela retomada da discussão no CNPE. Entretanto, sem um alinhamento envolvendo Casa Civil e Fazenda, o impasse permanece.Procurados, o Ministério de Minas e Energia e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos não retornaram o contato.