Efeito colateral: como os data centers devem aumentar os preços de smartphones

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O mercado de smartphones encara neste ano um efeito colateral da pressão promovida pelo processamento de inteligência artificial nos preços da indústria de semicondutores: com chips mais caros, consumidores serão empurrados às categorias de telefone premium, com mais tecnologia agregada.Quem faz o diagnóstico é Luiz Tonisi, presidente para América Latina da Qualcomm, líder no desenvolvimento de chips para smartphones globalmente. “O custo de memória está subindo, triplicando ou até multiplicando por cinco vezes”, diz o executivo em entrevista ao InfoMoney. Acontece que a oferta de chips de memória está cada vez mais comprometida enquanto produtores preferem vender os semicondutores para data centers, onde o valor agregado dos dispositivos de processamento é maior.Leia também: Como Dell e Qualcomm enxergam o futuro da inteligência artificialLeia também: É “agora ou nunca” para os smartphones chineses de ponta expandirem seu mercadoPara celulares de mais alto custo, como iPhones ou a linha S da Samsung, faz pouca diferença: percentualmente, o aumento do valor do chip não é tão significativo quando um aparelho pode custar US$ 1 mil ou, no Brasil, na casa dos R$ 10 mil. A história é diferente para os smartphones de baixo até médio custo.“O que vemos é que vai haver uma ‘premiunização’ dos smartphones, porque ninguém vai querer fazer um aparelho em que a memória seja 50% do custo do celular”, aponta Tonisi. Ele explica que o movimento é impulsionado ainda por cada vez mais tecnologia embutida, como aparelhos com funcionalidades de inteligência artificial, a consolidação do 5G e o avanço das câmeras.A própria Qualcomm vem sofrendo com o impacto da alta nos preços dos chips de memória. Desde o início de janeiro de 2026, as ações da companhia negociadas na Nasdaq acumulam uma queda de quase 35%, em muito justificada pelas expectativas de esfriamento do mercado de smartphones.Há duas semanas, a empresa anunciou um programa de recompra de ações de US$ 20 bilhões aproveitando a queda no preço dos papéis. “Embora continuemos a expandir nossa liderança em tecnologia e produtos em diversos setores, permanecemos focados no retorno para os acionistas e na execução de nossas oportunidades de diversificação em andamento, mantendo a disciplina operacional”, disse o CEO da companhia, Cristiano Amon, à época.Até 2029, a empresa espera reverter a contribuição da sua linha de processadores de smartphones, que já foi de 90% do faturamento, para 50%. Outros 50% virão da contribuição de chips para automóveis, aparelhos de IoT (internet das coisas, na sigla em inglês) e computadores, setores em que a companhia já está presente.Outra aposta é em data centers dedicados à inferência de inteligência artificial. São espaços menores e mais próximos ao consumidor, onde a carga de processamento é dedicada não à execução dos modelos de linguagem, mas executar o que já foi treinado.“Se alguém depende só de um produto, mesmo que nós tenhamos um portfólio amplo em mobile, qualquer coisa que aconteça no segmento nos impacta diretamente”, afirma Tonisi. Ele diz que a Qualcomm entra em todos os segmentos para disputar a liderança do mercado, “com uma proposta de valor, não para ser apenas mais um”.The post Efeito colateral: como os data centers devem aumentar os preços de smartphones appeared first on InfoMoney.