Braskem (BRKM5) não descarta recorrer à Justiça para proteção contra credores

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A Braskem (BRKM5) informou que não descarta eventuais medidas de proteção contra credores, em resposta à notícia da Bloomberg divulgada na última quarta-feira (1º). Em comunicado ao mercado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de ontem (2), a petroquímica reafirmou que contratou, em setembro do ano passado, assessores financeiro e jurífico especializados para auxiliar a companhia na elaboração de um diagnóstico abrangente de alternativas econômico-financeiras para otimizar sua estratura de capital. Segundo a empresa, o “diagnóstico” ainda está em curso. “No curso dos trabalhos relativos a tal diagnóstico, a companhia e seus assessores consideram diferentes alternativas, incluindo eventuais medidas de proteção contra credores“, disse a Braskem no comunicado. A petroquímica, porém, afirmou que ainda não há qualquer decisão sobre alternativas a serem implementadas. Também na quinta-feira (2), o jornalista Lauro Jardim, d’O Globo, noticiou que a decisão sobre o futuro da Braskem –– se entra na Justiça com um pedido de recuperação extrajudicial (RE) ou um pedido de tutela cautelar –– será tomada nos próximos 30 dias. Contudo, segundo Jardim, o mais provável é um pedido de RE negociada com credores. Recuperação judicial no radarA Bloomberg informou que a Braskem avalia recorrer à Justiça brasileira para buscar proteção contra credores, como uma recuperação extrajudicial, em meio à deterioração recente de sua situação financeira, na última quarta-feira. De acordo com a agência, a companhia considera a adoção de uma medida cautelar, mecanismo que oferece proteção temporária contra cobranças, e não descarta, em último caso, um processo de falência. As discussões ainda estão em estágio preliminar e nenhuma decisão final foi tomada, podendo haver mudanças no plano.Além disso, o cenário é agravado pela indefinição envolvendo a possível entrada do fundo IG4 Capital no controle da companhia. A operação ainda depende de aprovação de autoridades antitruste europeias e, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, dificilmente será concluída antes de maio.Braskem enfrenta dificuldades O desempenho operacional da Braskem tem sido impactado por um cenário global desfavorável ao setor petroquímico, marcado por margens mais apertadas e menor demanda em mercados estratégicos.Além disso, a situação é agravada por questões internas, como os desdobramentos do desastre ambiental em Maceió, relacionado à exploração de sal-gema, que continuam gerando custos e incertezas jurídicas.No resultado do quarto trimestre de 2025, a empresa registrou prejuízo de R$ 10,3 bilhões, mais que o dobro do observado no ano anterior, pressionando sua capacidade de honrar compromissos financeiros e elevando a necessidade de preservar liquidez.O balanço foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG, embora os auditores tenham registrado “incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia”.Eles destacaram que a controladora apresentou prejuízo de R$ 9,880 bilhões e o consolidado, R$ 10,961 bilhões, com passivo circulante superior ao ativo em R$ 3,090 bilhões na controladora e R$ 9,770 bilhões no consolidado, e patrimônio líquido negativo de R$ 16,147 milhões e R$ 16,502 milhões, respectivamente.Segundo a empresa, o desempenho do trimestre foi impactado pelas incertezas externas, incluindo conflitos geopolíticos e guerra tarifária, que, combinadas à sazonalidade, pressionaram os spreads químicos e petroquímicos no mercado internacional.